O Brasil carece de logística no escoamento da produção. A falta de fluxo do Porto de Paranaguá, não é problema exclusivamente do Porto. Em matéria que será publicada em breve, vamos abordar o papel do Mississipi, cuja sincronia começa nos silos dos produtores norte-americanos para desembocar com fluência no Golfo. Mas há toda uma logistica para que isto aconteça. É a velha história da eficiência após a porteira.
No caso do Paraná, não adianta debitar o gargalo às deficiências do Porto de Paranaguá, apenas.
Que o Brasil não está preparado para aumentar sua produção, todos sabem. Este ano é atípico.
Desvalorização cambial, aceleração das exportações e crescimento da renda do consumidor doméstico são alguns dos fatores que levam à expressiva recuperação dos preços dos produtos agrícolas em pleno andamento da safra, cujo prognóstico para este ano é de colheita recorde.
Ainda ontem, a Agência Estado publicou reportagem de Izabel Dias Aguiar sobre levantamento feio pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) mostrando que o Índice de Preços Recebidos pelos Agricultores aumentou 6,75% na primeira quadrissemana de abril.
A tendência é de alta ainda maior, segundo o diretor do IEA, Nelson Batista Martin, apesar de ter havido uma pequena retração ante o mês de março, quando a elevação dos preços ao produtor foi de 7,36% em relação a fevereiro.
Até as cotações do milho, um produto cujo preço deveria, pela lógica do mercado, manter-se próximo e até abaixo do mínimo fixado pelo governo, estão se recuperando. No início de abril subiu 9,26% e isso deverá reforçar a intenção de plantio do milho safrinha, segundo o IEA à Agência Estado.
As vendas de sementes nas últimas semanas apontam para a esse objetivo, informou o vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira, Claudio Braga. Com isso, em vez de 36 milhões, a produção poderá chegar a 40 milhões de toneladas. O resultado deverá ser uma safra geral de grãos de 94 milhões de toneladas, em vez das 91 milhões de t já anunciadas pelo governo federal. O volume da produção de milho deverá levar a uma dupla comemoração em Brasília, porque, caso se confirme, a safra 2000/2001 terá 12 milhões de t de grãos a mais que a do ano passado.

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