Desde que o ferreiro John Deere, construiu, em 1837, o arado auto-limpante, revolucionando o cultivo da época, a Deere não parou de pesquisar. É a empresa do setor que mais investe em desenvolvimento tecnológico, uma média de US$ 1,5 milhão/dia, segundo dados da empresa.
A discussão no momento - nas universidades e nas empresas - é o avanço da automação das colheitas. Saber quando os tratores sem motoristas, em grande número, estarão deslizando pelos campos, ainda é assunto em debate nos EUA, com engenheiros de universidades e especialistas da indústria. Prevêem isto para no mínimo 3 anos e no máximo 10 anos. Entretanto, a maioria dos engenheiros concorda que as revoluções tecnológicas ocorrem quando as tecnologias capacitadoras são convergentes e se concretizam quando correspondem à exectativa do mercado ou às necessidades nitidamente diagnosticadas.
O engenheiro sênior Dan Niebher, da John Deere, explica que uma aplicação autônoma no futuro para os fazendeiros de colheita em fileiras poderia ser um veículo automatizado de colher grãos. ‘‘Quando o tanque de grãos ficar cheio, ele emitirá automaticamente um sinal para um veículo de coleta de grãos sem motorista vir apanhar a carga’’, explica Niebher.
Outra aplicação poderia ser uma configuração do tipo mestre-escravo, em que um trator, no campo, teria um motorista que controlaria remotamente vários veículos inteligentes, sem motoristas, no mesmo campo. Isto poderia funcionar para cultivo, colheita, pulverização, ou qualquer operação que pudesse exigir múltiplos veículos agrícolas.
Com a eliminação da necessidade de um motorista se economiza em peso e custos, a falta de mão-de-obra se torna menos preocupante, a fadiga do operador é reduzida ou eliminada, e a segurança humana poderá ser melhorada. Contudo, um dos maiores desafios da Deere e outros fabricantes é determinar quanto os fazendeiros desejarão pagar pela tecnologia.
‘‘Antes de investir milhões de dólares em pesquisas, conduzimos grupos de foco de fazendeiros para determinar se alguém poderia estar interessado em comprar uma coisa assim’’, diz Niebher. A resposta com maior consistência era de que os fazendeiros comprariam tecnologias de ponta, mas somente se pudessem ver um retorno econômico definido. ‘‘Assim para cada centavo investido em tecnologia, teríamos que gerar 100 vezes este valor em receita’’.
Nem todo fazendeiro está interessado em tratores high-tech. ‘‘Um número razoável de fazendeiros simplesmente deseja um trator confiável com muita potência; eles não se importam com tecnologia. Alguns nem mesmo gostam dos mostradores digitais ou qualquer dispositivo eletrônico associado às suas máquinas. Temos que ser conscienciosos para não alienar estes clientes, visto que estamos buscando melhor tecnologia para os que serão os primeiros a adota-la e que sempre desejam novidades’’, afirma. Como se vê, nos EUA, como em outros países, incluindo os não desenvolvidos, também há resistência à certos modelos tecnológicos. Talvez não à tecnologia medância, mas eletrônica.

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