Carne nova para a Ásia

- O fazendeiro Edgar Toledo Piza, de Andradina (SP), vai à Ásia no início do ano, para sentir como se comporta o mercado de animais jovens naquele continente. A idéia é abrir um mercado novo, na verdade, um nicho, para carne mais tenra. Toledo Piza acha que pode ser uma ‘‘grande saída’’. Ele tem gado leiteiro, mas considera um desperdício dar mais de 4 litros de leite por dia ao filhote e depois de dez meses vendê-lo nos leilões por apenas R$ 70,00. O custo, só de leite, terá sido de R$ 120,00.
- Em matéria de custo-benefício e custo de produção cada fazenda ou indústria tem sua equação e cada cabeça de fazendeiro tem opinião divergente. Piza, por exemplo, acha que vendendo para o abate, tem lucro médio de R$ 70,00 acima dos custos de produção. Ele só teve problemas para registro do abate porque os técnicos não sabiam como identificar carcaças pela idade. O abate de bezerro, embora pesando 11 arrobas ou apenas quatro arrobas abaixo do peso adulto, ainda tem resistência.
- Se depender da indústria de Andradina, o Brasil vai exportar carne de ‘‘superbezerros’’ criados na região de Andradina para o mercado asiático. A informação - transmitida ontem pela ‘‘Agência Estado’’ - é do empresário José Luiz Gulielmi, industrial do ramo alimentício e que pretende abrir caminho para competir com a Sadia, única empresa nacional com exclusividade no comércio do frango naquela parte do mundo. Ele se interessou após saber que um fazendeiro de Andradina havia conseguido produzir animais com 10 meses pesando 11 arrobas. Não quis entrar em detalhe, nem confirmou o início das negociações com trades norte-americanas, através das quais pretenderia alcançar o mercado asiático.
- Para Gulielmi, o frango entrou bem naquele mercado porque o ciclo de produção é rápido e as entregas podem ser garantidas em menos de 50 dias. ‘‘Acho que no Brasil ainda se tem preconceito de matar boi com 8 ou 9 arrobas, mas na verdade isso se chama vitela. Os italianos são apaixonados por pele de vitela, enquanto boi de 3 ou 4 anos não tem mais comércio’’, argumentou o empresário, apontando outras oportunidades de mercado.
- Mas a ‘‘prospecção’’ de mercado para carne precoce, não está tão discreta como parecem sugerir os empresários. A prefeita de Andradina, Edna Brito (PRP), disse ontem que o programa de melhoramento genético do rebanho leiteiro em 600 pequenas propriedades rurais vai fazer surgir um novo rebanho de gado jovem e de boa linhagem, exatamente dentro dos critérios de precocidade exigidos para exportação. ‘‘A Ásia e a Europa Oriental são mercados propícios para o Brasil. São mais confiantes no nosso controle de aftosa e gostam de carne macia, como a vitela. Acho que podemos entrar com esse produto que é o mais moderno em termos de qualidade’’, argumenta.

Soja Fipe-BM&F

- Preço Nacional da Soja, calculado pela Fipe/BM&F, ficou ontem em R$ 17,07/saca: queda de 0,06%. Em dólar, US$ 16,44, -0,18%. O preço refere-se à média geométrica ponderada do valor cobrado por 74 atacadistas de vários Estados.
Café SP
- O preço do café ficou ontem em R$ 129,24/saca, alta de 1,76%. Em dólar, subiu 1,63%: US$ 124,50. O indicador, que reflete o preço médio em SP, é elaborado pela BM&F, para o bebida dura tipo 6. Veja preço do Paraná nas cotações do Deral.
Boi gordo
- O preço do boi gordo à vista caiu 0,04% ontem, com a cotação de R$ 23,00/arroba. Em dólar, o preço caiu 0,09% e ficou em US$ 22,16. A prazo, o preço caiu 0,21% e ficou em R$ 23,70. Os dados são da Esalq/USP. No Paraná, R$ 22,00.
Leilão
- O CMN deverá extinguir na próxima semana a comissão de 1,25% que a Conab ganha sobre todas as operações de venda de produtos estocados pelo governo. Com a extinção da taxa, o governo espera melhorar as vendas nos leilões de trigo.
Leilão 2
- Segundo o secretário de Política Agrícola, Guilherme Dias, ‘‘este é um dos fatores que dificultam as vendas’’. Aos poucos a Conab vai saindo do mercado. Pior para as bolsas que vivem dos leilões oficiais. Dizem que sem a Conab, poucas vão sobreviver.

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