-O Plano Real foi sustentado em duas grandes vertentes pela agropecuária. No abastecimento, através do baixíssimo preço dos alimentos básicos (‘‘âncora verde’’) e na balança comercial, através das exportações de grãos ou semi-elaborados. No abastecimento, o governo tem sorte porque o País terá mais uma safra abundante, a julgar pelos primeiros prognósticos. Mas, na balança, o segundo ponto de apoio, já existem sinais de alguns tropeços. Porque, afinal, não depende do altruísmo de agricultores e suas lavouras abundantes.
-Seguinte: os itens mais importantes na pauta de exportação do Brasil, os produtos agrícolas, que aumentaram sua participação no total de vendas externas do país no primeiro semestre, devem gerar menor receita nos próximos meses. O principal motivo para isso são os preços internacionais desses produtos, que apresentam perspectiva de queda. Essa tendência já é visível nas bolsas de mercadorias internacionais.
-Na Bolsa de Chicago, principal pólo de formação de preços da soja, o contrato do grão para entrega em setembro tem fechado em baixa durante vários dias consecutivos. Na quarta-feira, por exemplo, foi cotado a US$ 6,475 por bushel. Já o contrato para entrega em janeiro de 1998 foi cotado a US$ 6,062 por bushel, ou seja, 6,38% a menos.
-Além disso, a comercialização de soja normalmente diminui de ritmo no segundo semestre, devido ao esgotamento da safra brasileira. No caso do café, o preço do grão no mercado futuro da Bolsa de Nova York, tem fechado em baixa.
-No contrato para entrega em dezembro deste ano, o preço de fechamento foi de US$ 1,5815 por libra-peso, cerca de 13% menor. As exportações de soja e derivados, café em grão e suco de laranja concentrado arrecadaram US$ 5,011 bilhões no primeiro semestre de 1997, correspondendo a 21,9% das exportações totais.
-No primeiro semestre do ano passado, a receita gerada com a exportação
desses produtos foi de US$ 3,51 bilhões (16,7% do total), de acordo com
dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). As exportações de soja e derivados somaram US$ 3,196 bilhões, 39,38% acima de 96. No caso do café em grão, o crescimento da receita foi de 140%, para US$ 1,385 bilhão.
-A exceção ficou por conta das exportações de suco de laranja, que
arrecadaram 33% menos, totalizando US$ 430 milhões. Segundo Fernando Homem de Melo, especialista em economia agrícola, nos casos da soja e do café, a alta dos preços no mercado internacional foi o principal motivo para o ganho de receita. Esse comportamento de preços, entretanto, não deverá se repetir no segundo semestre, afirmou.Fundos fortes

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