Oswaldo Petrin
Indiferentes a uma possível nova briga entre Brasil e EUA, técnicos dos Estados produtores de trigo reunidos em Londrina, discutem genética, sanidade da planta e características industriais do grão. Mas, pelo menos um deles arriscou um palpite: o Brasil deveria perder menos tempo com a anguina tritici no trigo dos outros e se preocupar mais com a sua produção.
A crítica é feita em cima da missão técnica que o governo enviará aos Estados Unidos para comprovar se o trigo que os americanos querem exportar para o Brasil está livre da anguina tritici, uma praga que pode ser transmitida aos trigais do País.
Lógico que a disseminação da doença preocupa. Mas no jogo duro da globalização (vide caso da vaca louca e agora a aftosa na Argentina), em caso de duvida é só não importar.
O abastecimento? O abastecimento se faz com trigo nacional, sugere o técnico.
Os técnicos brasileiros irão diretamente à costa leste dos Estados Unidos para vistoriar as lavouras em companhia de técnicos americanos. Somente depois que a área for reconhecida como livre é que as impotações poderão ser feitas
Os técnicos levam em conta que as importações dos Estados Unidos são substituíveis já que 97% do trigo importado é argentino. E que o governo deve estimular o trigo nacional agora que o mercaod acena com boas chances de preços. O preço do trigo argentino, em junho, deve ficar em US$ 155/tonelada, preço considerado elevado, já que na mesma época do ano passado, custava US$ 130/132/t. Se esta perspectiva estiver correta, o mercado interno vai se beneficiar e em setembro, época da colheita no Paraná, preço da tonelada de trigo pode chegar a R$ 300,00.
Carne Os especialistas em mercado de carne analisam com cautela os efeitos sobre a carne brasileira do problema da aftosa na Argentina - que pode perder a condição de país livre da aftosa sem vacinação.
José Vicente Ferraz, da FNP, disse ontem à reporter Ana Paula Nascimento, deste jornal que ainda não é hora de sair pulando de alegria achando que vamos ocupar mais espaço. Segundo ele, não estamos diante de mais um episódio tipo vaca louca. Se os focos na Argentina fossem de vaca louca, o problema seria terminamente maior, pois os consumidores mundiais estão assustados com a doença.
Outro analista, acredita que o que pode acontecer é a Organização Internacional de Epizootias (OIE) retirar o status de área livre de febre aftosa sem vacinação de algumas províncias da Argentina até que o problema seja resolvido e os animais abatidos.





