-O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) formaliza hoje uma decisão rara, embora não seja inédita: deverá condenar a composição entre duas grandes indústrias de cerveja. A Associação entre as indústrias Antarctica e Anheuser-Bush (norte-americana, que fabrica a marca Budweiser) tem que ser desfeita. As partes têm dois anos para romper o contrato. Uma decisão política contra a verticalização do mercado - leia-se contra o monopólio, ou antitruste, para usar um termo mais forte. Mas que não deixa de abrigar sinais de xenofobia.
-Mas consultores de empresas estão achando que a globalização dos negócios, que caminha no bojo da globalização da economia, sofre um arranhão, embora restrito ao setor de bebidas. O assunto deve ganhar repercussão internacional. A Budweiser é uma marca líder.
-A decisão da maioria dos conselheiros do CADE foi a mesma em relação à aliança entre a Brahma e a também norte-americana Miller, outra gigante do mercado: terceira lugar no ranking.
-O relatório final sobre a decisão foi concluído dias atrás pela conselheira Lúcia Helena Salgado e Silva e apresentado ontem. Ela convenceu quatro dos seis colegas que a associação trará danos à concorrência nesse segmento. Minha expectativa é que o conselho mantenha a posição anterior’’, afirmou o presidente do CADE, Gesner Oliveira.
-Apesar de saber que não tem chances, ele deverá apresentar seu voto e firmar mais uma vez sua oposição à dissolução da aliança. ‘‘Não tenho a pretensão de mudar os votos de meus companheiros do conselho, mas devo ser coerente com as minhas manifestações anteriores’’, disse, em entrevista à repórter Denise Chrispim Marin, da ‘‘Agência Folha’’.
-Tanto a Antarctica como a Anhauser-Bush esperavam que um julgamento favorável no caso da associação pudesse provocar a revisão da decisão que as afetou. O voto de Oliveira é o único que falta nesse julgamento, que passou por cinco suspensões desde o dia 11 de junho. Dessa vez, o presidente do CADE espera ver o caso concluído, sem novos adiamentos. Durante a sessão, ele deverá expor julgamentos de agências oficiais de direito antitruste do México, Canadá e países europeus sobre casos similares aos das associações entre as cervejarias. ‘‘O mais importante é o debate aprofundado sobre o assunto’’, afirmou Oliveira. Ele chegou a declarar que percebia ‘‘sinais de xenofobia’’ na posição de seus colegas. Há duas semanas, o conselheiro Arthur Barrionuevo - único aliado de Oliveira nesse caso - tentou reverter as resistências dos colegas à associação.Boi/oferta

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