Oswaldo Petrin
A informação, ontem, de que o Canadá decidiu adiar o anúncio da lista de retaliações contra o Brasil, é alívio e sinaliza o fim de um episódio. Mas é melhor adotar uma posição de cautela e reflexão sobre tudo o que ocorreu.
O Brasil aguarda oportunidade para entrar com campanha promocional em favor da carne brasileira. A iniciativa pode ser amadora, se a campanha não for bem estruturada. A idéia de explorar o lado positivo do embargo do Canadá pode não ser uma estratégia inteligente. O mercado ficou divido ontem em relação à iniciativa de Dorothea Werneck, que dirignete a Agência de Promoções da Exportação (veja abaixo e na página 5).
A notícia: o governo canadense decidiu adiar o anúncio da lista de retaliações contra o Brasil, possivelmente para depois do encontro de Cúpula das Américas, que acontece no fim de abril na cidade de Quebec. A afirmação é do jornalista Ian Jack, que assina a matéria Segure os torpedos, marcha à ré com força total na edição de ontem do jornal canadense Financial Post. Jack atribui a informação a fontes do governo do Canadá, mas não cita nomes. A Agência Estado procurou o porta-voz do Ministério de Relações Internacionais e Comércio do Canadá, François Lasalle, mas ele ainda não retornou a ligação.
Segundo o Financial Post, a decisão de arquivar temporariamente a publicação da lista de sanções resultou das preocupações de Ottawa com a reação negativa do Brasil ao embargo da carne bovina e da ansiedade do governo canadense por salvar o encontro de Cúpula das Américas.
Desde a segunda quinzena de dezembro, representantes do governo canadense em Brasília e em Ottawa têm dito que a lista de retaliações está sendo preparada. De acordo com o Financial Post, que é o braço de economia do National Post, o pacote de sanções deveria ter sido anunciado no início de fevereiro, mas as autoridades da Agência de Inspeção Alimentar do Canadá intervieram no processo, afirmando estar preocupados com a possibilidade de a carne bovina brasileira estar contaminada com a doença da vaca louca.
O passo seguinte, de acordo com o Financial Post, foi dado por altas autoridades canadenses, que solicitaram à agência que baixasse um embargo temporário contra a carne bovina brasileira. Ao mesmo tempo, à área comercial do governo canadense foi solicitado esperar pelos desdobramentos do boicote. No entanto, o anúncio do embargo provocou reações iradas no Brasil contra o Canadá, incluindo uma ameaça do presidente Fernando Henrique Cardoso de não participar da Cúpula das Américas, que vai discutir a Alca.
A ameaça de FHC preocupou as autoridades canadenses, continuou o Financial Post, pois a reunião de Cúpula seria um projeto importante do primeiro-ministro Jean Chrétien, e do presidente norte-americano George W. Bush.
O Canadá foi autorizado a retaliar o Brasil em US$ 1,4 bilhão pela Organização Mundial do Comércio (OMC), como resultado do julgamento do contencioso entre os dois países, que condenou o Programa de Financiamento às Exportações Brasileiras (Proex) e seus subsídios à Embraer, principal concorrente da canadense Bombardier no mercado mundial de jatos regionais. (Agência Estado, Paula Puliti).





