Oswaldo Petrin
A forte dependência do Brasil ao trigo importado deve permear o Encontro Técnico do Trigo que se realiza esta semana em Londrina, reunindo técnicos de três estados. O evento foi aberto ontem, no Hotel Sumatra, mas os trabalhos técnicos começam hoje, no Iapar, promoção da Embrapa com apoio do Instituto. A idéia é estimular a produção para diminuir as importações, objetivo que interessa à pesquisa, ao governo e à indústria moageira de trigo.
Já o embargo do Nafta à carne bovina brasileira só vai transparecer para valer mesmo nos relatórios da balança comercial em março. E, se continuar, nos meses seguintes. Os dados divulgados ontem mostram influência apenas relativa, sem impacto.
Mesmo com o embargo canadense à carne bovina brasileira, iniciado no começo deste mês, as exportações de carnes, incluindo bois, porcos e aves, cresceu, em média, 34,1% em relação a janeiro. É o que mostra relatório divulgado ontem sobre o comportamento da balança comercial. No agribusiness, ainda, as exportações de suco de laranja, açúcar e papel tiveram quedas. No período houve queda no ritmo de embarque da soja e do café. As vendas de produtos químicos, de calçados e de equipamentos mecânicos foram as que mais cresceram neste mês.
Se comparadas com fevereiro do ano passado, as exportações subiram 8,7%. As importações, no mesmo período, registraram crescimento de 16,4%. Pesquisa realizada pelo Banco central mostra que, a cada semana que passa, o mercado fica mais pessimista em relação ao desempenho da balança comercial neste ano.
Em pesquisa realizada entre instituições financeiras, na semana passada, a média das expectativas apontava para um saldo comercial zerado em 2001. No levantamento anterior, feito uma semana antes, as mesmas instituições esperavam um superávit de US$ 200 milhões.
No início do ano, a pesquisa do BC apontava expectativa de superávit de US$ 550 milhões. Com os resultados decepcionantes alcançados pela balança em janeiro e, até agora, também em fevereiro, os bancos reviram para baixo suas previsões.
Conforme notícia da Agência Folha (Ney Hayashi da Cruz) até a semana passada, a balança comercial brasileira acumulava déficit de US$ 612 milhões neste ano.
O saldo negativo foi puxado, principalmente, pelo crescimento nas importações de automóveis, combustíveis e produtos eletroeletrônicos.





