Oswaldo Petrin
Marcelo L. A. Favarão, de Campina da Lagoa: Como dirigente sindical fiquei muito contente com a repercussão positiva da questão dos descontos equivocados da porcentagem de umidade sobre a impureza. Mas como agricultor, após muito tempo me senti mais animado.
Nota As cotações da BM&F referem-se a bezerros desmamados, de 8 a 12 meses, anelorados (comuns). Detalhes sobre os critérios podem ser encontrados no site da bolsa: www.bmf.com.br O leitor também pode telefonar para a BM&F (11) 31192434 e falar com economista Fabiana Perobelli, autora do projeto.
Antônio C.F. Gomes, de Paranavaí: As informações sobre cotações de bezerros na BM&F divulgadas pelo seu jornal vão colocar o mercado nos trilhos, tornando-o mais transparente e sem a manipulação que hoje acontece até mesmo nos leilões, confundindo o mercado. A falha está no fato de não divulgarem a idade do animal. Supõe-se que sejam os desmamados.
Nossa classe é roubada, enganada e de tal forma humilhada por tantos outros segmentos que a vitória, por pequena que seja, me faz vislumbrar que é possível, através da união e conscientização, conseguir muito mais. Recebi manifestações de apoio de muitos agricultores e do próprio presidente da Faep que me comunicou que já enviou um ofício ao ministro da Agricultura para que providências contra esta prática, que é, no mínimo, imoral.
Enquanto o governo não se pronuncia, podemos nos mobilizar, agricultores e seus sindicatos rurais, identificando e boicotando por completo àquelas empresas que nos enganam na hora do recebimento de nossa safra. Muitas serão as desculpas. Uns dirão que é o programa do computador; outros dirão que os compradores finais, as indústrias, e os exportadores fazem o mesmo, ou seja aplicam os descontos. E outros dirão, como já me disseram pessoalmente, que esta diferença é para pagar o custo da sacaria para colocar as impurezas.
Em qualquer dessas situações o agricultor deve simplesmente dizer: Problema seu, ou Se vire. Afinal de contas, isto já nos foi dito tantas vezes, que já é hora de usarmos estas frases também.
Acho que devemos aproveitar este momento que a agricultura está em evidência por causa do mal da vaca louca e, definitivamente, trazer a opinião pública para o nosso lado, ou melhor, fazê-la mudar de opinião a nosso respeito, pois a maioria das pessoas, influenciadas por uma mídia desinformada, acha que somos chorões, caloteiros, que temos camionetes novas na garagem. Mas nós é que sabemos que a realidade é bem outra. Vamos conquistar o apoio da sociedade através da verdade, mostrando nosso trabalho e o nosso papel na sociedade. O agricultor não é chorão, ele só quer ter condições de igualdade com seus competidores estrangeiros. Caloteiro também não, basta verificar junto ao Banco do Brasil qual o percentual de adimplência dos custeios agrícolas. Camionete nova, que para nós é um instrumento de trabalho, só mesmo na vitrine.
O agricultor é sim, muito pacífico. Temos que nos espelhar em nossos companheiros franceses, alemães e americanos; temos sim que nos unir e exigir nossos direitos, porque por enquanto só temos deveres.
Tomara que esta questão dos descontos levantada por um simples agricultor de um pequeno município sirva para acender o estopim que vai destruir de uma vez por todas esta passividade dos agricultores, para que, unidos, gritanto alto e forte, nos ouçam em Brasília.
Petrin, gostaria de agradecer e parabenizar a Folha por ser porta-voz dos agricultores através da sua coluna diária.
Nota 1) Marcelo Luiz Anizeli Favarão é presidente do Sindicato Rural de Campina da Lagoa, 2) A Folha recebeu mensagens por fax, e-mail, e por telefone de dirigentes sindicais e agricultores, apoiando a idéia de se evitar os chamados descontos equivocados. As pessoas se reportam à primeira carta enviada no dia 3 de fevereiro, 3) Uma das sugestões, do sr. Carlos A. Higa, de Ivaiporã, pede que as empresas cerealisas, as indústrias e as cooperativas, estabeleçam previamente os critérios, pontuação e respectivos valores (?) dos descontos, facultando ao agricultor o direito de fechar ou não a venda naquelas condições de deságio ou descontos, 4) A Faep encaminhou ao Ministério da Agricultura estudos fixando critérios para questões de umidade e impurezas, segundo o seu presidente, Ágide Meneguette.





