O Brasil deu mole e agora todos querem tirar proveito. Ontem foi a vez da Malásia e Bósnia estufarem o peito para anunciar a suspensão das importações de carne do Brasil.
Um vendedor com o mínimo de senso profissional não despreza cliente qualquer que seja o seu potencial mas, sinceramente, a Malásia, que compra 60 toneladas/ano e a Bósnia com 36 toneladas/ano, nem precisariam anunciar publicamente tal decisão. A impressão que se tem é que nesses países - como aqui - os políticos vivem à procura de um fato para fazer média e mídia.
Cinco anos atrás, quando a globalização se firmava, não faltou quem observasse o seguinte, sobre as barreiras alfandegárias que, supostamente, seriam suprimidas: daqui para frente, o nome para o protecionismo interno de cada país vai se chamar barreira sanitária. Dito e feito. Até o Brasil - que tem apanhado tanto, em Davo, Seatle ou onde quer que seja - acaba de fazer isto com o trigo norte-americano.
Agora, quem diria: países vegetarianos por circunstância econômica anunciam para o mundo inteiro que não querem a carne do Brasil, deixando entrever toda suspeição que as desinformações e os mal-entendidos ensejam. Talvez amanhã seja a vez do Haiti anunciar seu embargo.
A alegação da Malásia - ‘‘receio sobre a doença da vaca louca’’ - foi anunciada para o mundo pelo ministro da Saúde malaio, Chua Jui Meng, certo de que se tratava de uma atitude de defesa dos consumidores.
Nações, cujo povo come cobras, macacos e outros bichos, têm também sua chance de suspeitar da carne de gado engordado basicamente de capim.
O Brasil, porque não tem uma diplomacia e uma equipe econômica profissionais na área do marketing, acaba tendo que assistir a coisas desse gênero. E uma fonte bem informada comentou ontem que se o ministro Pratini atenuou seu discurso na véspera foi porque sabe que, a qualquer momento, o Canadá pode apresentar provas incontestes de que o Brasil falhou no envio de informações. Vem à tona, de novo, portanto, a causa anterior do problema, que, aliás, teve sua importância minimizada ao longo dos desdobramentos dos fatos.
Enquanto isso, o Itamaraty que tanto hesitou em adotar retaliações, até ontem à noite não sabia, que tipo de representação fará contra o Canadá junto à Organização Mundial do Comércio. Não formalizou sequer um pedido de explicação ao Canadá, um procedimento considerado normal. O chefe da missão à OMC, embaixador Celso Amorim está mais perdido que cego no tiroteio.

LEITURA DINÂMICA

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