Os trabalhos da missão técnica do Canadá (para ver as condições de produção de carne no Brasil, da alimentação do gado à manipulação das peças em frigoríficos) serão menos transparentes do que se pensava. As informações liberadas ontem não incluiam sequer os locais - criatórios ou indústrias - que serão visitados.
Isto teria sido negociado entre a missão e o Ministério da Agricultura, talvez para evitar hostilidades. O Ministério não confirmou esta informação.
A conclusão será apresentada na sexta-feira. Mas ainda não será possível, a partir do encerramento, fixar data para negociar a suspensão do embargo.
Pouco se sabe sobre isto. Aliás, a única certeza é que o embargo do Nafta só deverá ser suspenso após o dia 20.
Os frigoríficos estão evitando acumular estoque. Mas alguns estão com grande volume de carne estocada e alguns com carregamentos parados nos portos.
Contrariando o otimismo das autoridades do Ministério da Agricultura, o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), Enio Marques, disse não acreditar numa saída imediata para o impasse.
Os técnicos da missão mista têm reunião marcada para o dia 20 nos Estados Unidos para prestar contas sobre a visita feita ao Brasil. Até lá, o embargo à carne brasileira será mantido.’’
Marques disse ontem à repórter Fabíola Salvador, da Agência Estado, que foi informado que os técnicos analisarão o sistema sanitário brasileiro para controle da doença. Eles vão analisar a estratégia de monitoramento de rebanhos bovinos. Pelo que sei, não estão previstas visitas a campo.
Para Marques, seria bom se os técnicos inspecionassem fazendas de pecuária e frigoríficos brasileiros. ‘‘Seria interessante uma visita às regiões produtoras, para que os técnicos observassem a qualidade do rebanho brasileiro’’, afirmou.
Analistas e corretores acreditam que o mercado interno de boi gordo só voltará ao normal quando o embargo for suspenso. Ontem o mercado continuou calmo e poucos lotes foram negociados. O mercado espera que o embargo seja suspenso tão logo os técnicos avaliem as condições do rebanho, segundo Sérgio Penteado, da Hencorp Commcor Corretora.
A expectativa é de que o embargo seja suspenso ainda nesta semana. Desde que o Canadá anunciou que não compraria mais carne bovina do Brasil, o mercado está calmo, com poucos negócios efetivos. Pecuaristas e frigoríficos estão muito resistentes em negociar, pois esperam melhor definição sobre o mercado externo, afirmou Sérgio Galiano, da Lucra Corretora, também à AE.
Apesar de o Brasil exportar pequeno volume de carne bovina para o Canadá, o efeito psicológico do embargo travou o mercado. A Europa é a grande compradora de carne do Brasil.

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