Até ontem o Brasil falava a mesma linguagem, uníssona, na guerra comercial contra o Canadá. Mas, o ministro Pratini de Morais, ao mudar sua estratégia, ontem à tarde, acabou por destoar dos demais setores. Não que ele tenha necessariamente afinado. Pode ser uma saída inteligente. No entanto, faltou, no mínimo, ajustar o tom com lideranças que - como poucas vezes na história - se alinharam aos interesses do País pela manutenção do seu espaço no mercado.
Agora é torcer para que outros setores, empenhados em boicote produtos canadenses, etc não tenham a sensação de terem ficado sozinhos. Enquanto o ministro ameniza dizendo que agora o Brasil é o País do ‘‘toma lá, dá cᒒ, outros comércio, indústria e agricultura continuam falando em boicote.
Exemplo disso são os portuários e a agricultura, por exmeplo. Ontem, o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Luis Hafers, disse à Agência Estado que vai sugerir aos produtores rurais brasileiros que deixem de comprar o cloreto de potássio canadense, diante da decisão de autoridades daquele país de embargar as importações de carne brasileira.
As importações de cloreto de potássio canadense representam 27% das necessidades do produto no Brasil, utilizado como componente para produção de adubo para as principais culturas brasileiras. Segundo Hafers, estas importações somariam cerca de US$ 200 milhões anuais.
O presidente da SRB disse que esta é uma medida simbólica diante das perdas provocadas pela decisão canadense, que ‘‘vinculou a carne brasileira à doença da vaca louca’’. ‘‘Este estrago será difícil de reverter’’, disse. Hafers contou que o cloreto de potássio pode ser comprado a um custo semelhante ao do Canadá de países como Rússia ou Polônia. Segundo ele, outra medida de desagravo será a sugestão para que as importações de sêmen bovino canadense, avaliadas em US$ 5 milhões anuais, sejam interrompidas. Este sêmen é destinado basicamente para a produção de gado leiteiro. Hafers disse que, em valores, este embargo não provocará grandes perdas para a balança canadense, mas ‘‘com certeza afetará empresas que irão até o governo para reclamar que estão sendo afetadas com esta crise comercial entre os dois países’’.

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