Desfechos de vários acontecimentos (como o embargo à carne e possível redução dos juros) chamam a atenção do mercado. Em primeiro lugar, os juros: o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, reúne-se amanhã e quarta-feira e pode mexer na atual taxa de juros básicos, fixada em 15,25% na última reunião de Copom, mês passado.
O Copom tem adotado medidas que correspondem aos interesses do mercado e dos consumidores, embora muito lentamente. A tendência, seria dar mais um corte nos juros de 0,25% deixando o percentual em razoáveis 15,5%. A torcida seria para redondos 15%. Mas o Tesouro não ousaria tanto.
Todos os indicadores internos convergem para uma nova redução dos juros. No entanto, há o ambiente externo que não ajuda. É a recessão norte-americana. Bem que o Banco Central dos Estados Unidos (Fed) reduziu os juros para reativar a economia interna, mas não houve efeito por enquanto.
Além da variável externa, conspira contra a queda dos juros básicos o medo da inflação. É verdade que o cenário é de estabilidade, mas isto a custa de uma economia engessada, como gosta e quer o ministro Pedro Malan, para facilitar o seu estilo (cá entre nós, limitado) de administrar.
O governo tem sinais nítidos de que a demanda reprimida pode romper as coportas. Além de ter que pisar firme sobre a espiral dos preços (se tirar o peso do pé, a mola pula alto), o governo tem outra variável para administrar: a balança comercial. Depois do embargo do Nafta, o mercado mundial não será o mesmo para a carne brasileira, item importante na pauta de exportação.
Sem previsão imediata de reversão da recessão norte-americana; sem coragem para afrouxar o cabresto do consumidor brasileiro; sem alternativa para a balança comercial e, principalmente, sem uma política macroeconômica que amplie a oferta de empregos - a redução dos juros, desta vez, não é uma certeza. E ainda tem, à administrar, o déficit interno, dívida pública e a combalida política fiscal.
O Copom vai buscar uma saída política e reduzir os juros, mas com parcimônia, ficando aí nos 15,5%. Assim, não recua - para não assumir a fragilidade econômica - mas também não comete imprudências. E o consumidor, se quiser ver essa redução refletida nos juros de suas compras a prazo, que espere mais um pouco.
Amadorismo Ao enviar aos EUA, na próxima semana, uma missão técnica para ‘‘colher amostras de trigo e levantar informações’’ sobre a condição sanitária das lavouras, o Brasil estará apenas evidenciando seu amadorismo no mercado internacional. Não usou de nenhuma sutileza: imediatamente após eclosão do embargo à carne, atacou de Angina tritici, o nematóide do trigo, contra o qual nunca, ou pouco, se rebelou, durante decênios de importação.
A US Wheat (associação que reúne o setor triticultor) não vai querer pagar o pato da vaca pretensamente louca, nem dos aviões que decolaram mais altos que os da Bombardier. Tanto que enviou carta ao Usda protestando contra a medida.
Quando à exigência de atestado de que o trigo é proveniente de livre de Anguina tritici, é algo que deveria estar fazendo há tempo, antes mesmo do período em que as importações foram suspensas e só retornaram agora como resultado de negociações cujo interesse partiu do próprio Brasil.

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