Oswaldo Petrin
-Menos de três anos atrás, quando política econômica deslocava os interesses dos poupadores, que migraram para commodities ou investimentos em atividades produtivas, ativos reais e outras opções, não faltou quem fizesse a seguinte previsão: com a consolidação do plano de estabilidade, os bancos terão que redescobrir um novo mercado, o da pessoa física, desprezível até então, e empurrado para as financeiras, consideradas arapucas, pelas taxas de juros escorchantes da época. Os bancos, além de abrir o leque dos serviços (passando a taxá-los) para contrapor a grande perda que foi a ciranda financeira, realmente buscaram a pessoa física. E como.
-O segmento é portentoso. Segundo um balanço de três meses atrás, os empréstimos do sistema financeiro às pessoas físicas aumentaram 95,5% no período de 12 meses encerrados no final de abril, quando o volume desses créditos chegou a R$ 23,910 bilhões. No mesmo período, os empréstimos ao comércio caíram 9,1% e empréstimos à indústria cresceram 18,4%, abaixo da taxa Selic de 24,3% acumulada no período. O total de empréstimos ao setor privado no final de abril era de R$ 192,104 bilhões.
-O governo resolveu reduzir os prazos e encurtar as rédeas do consumo. O resultado está refletindo agora. Ontem, o Banco Central informou que o crédito do setor financeiro para as pessoas físicas cresceu 106,5% em 12 meses, passando de R$ 12,7 bilhões em junho do ano passado para R$ 24,5 bilhões em maio deste ano. Mas o crescimento, acelerado até o mês de abril, já mostra sinais de acomodação. Enquanto que de março para abril o crédito oferecido pelos bancos às pessoas físicas cresceu 4,6%, o acrescimento se reduziu para 2,5% de abril para maio.
-Parte desta desaceleração, pode ser atribuída à incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de crédito. Pode também significar transferência do crédito de um segmento para outro, já que, em maio, o crédito para o comércio cresceu 5,7% em relação ao mês de abril. Nos últimos 12 meses até maio, entretanto, o crédito disponível para o comércio é negativo em 2,5%.
-Segundo o chefe do Depec, apenas quando o Banco Central tiver a radiografia dos empréstimos do setor financeiro no mês de junho é que poderá avaliar se a melhor captação de CDBs, por exemplo, está servindo de lastro para as operações de empréstimo. Em junho, pelos dados da base monetária, a captação de CDBs cresceu 5,9%, passando de R$ 76,8 bilhões em maio para R$ 81,3 bilhões em no mês passado.
-O governo tem na demanda de crédito um indicador da busca agregada de bens, que quando não é localizada - como agora - prenuncia aumento do consumo e invariavelmente transparece na nos índices do mês. Como o freio para segurar inflação ainda é o instrumento monetário, as taxas de juros jamais vão recuar. Combustíveis





