O agronegócio milho envolve interesses de milhares de pessoas na produção, na agroindústrias, nas cooperativas, no elo intermediário, enfim é uma cadeia forte.
Sem aporte de recursos para pôr em prática mecanismos de sustentação de preços, como AGF ou EGF com opções de venda, o preço do milho não pára de cair. E esses mecanismos - embora desativados nas últimas safras - são velhos conhecidos do sistema bancário e do comércio. Funcionam, portanto.
O esforço para exportar é válido, mas, além das dificuldades inerentes, é preciso considerar que o preço internacional caiu cerca de 10% em relação a outubro, quando o Brasil importou o produto.
Mesmo asssim, imaginemos que o Brasil tenha espaço para exportar milho. O preço a ser conseguido no mercado internacional (e que iria referenciar o mercado interno) tem que considerar os atuais cerca de US$ 88/tonelada, menos US$ 14 que é o custo da zona de produção até o Porto; menos US$ 7 de estiva (carregamento) o que daria cerca de US$ 67/toneladas. Há que se deduzir outras taxas portuárias, etc. Um cálculo melhor formulado, com números mais precisos, fatalmente vai resultar em um preço máximo de US$ 4 por saca.
Uma condição melhor que esta só se o governo adotasse as mesmas políticas de outros países, de estímulo à exportação. Não é o caso.
Em posição inversa, o preço internacional do milho, entre julho e outubro do ano passado, girou em torno de US$ 95/t em qualquer porto da Argentina, mais US$ 13 dólares de frete marítimo, mais desestiva (descarga) de US$ 8,00/t, mais US$ 12/t de internação. (Falta considerar ainda as taxas alfandegárias e eventuais tributos). Esses valores elevaram o preço para aproximados US$ 128/t que, num cálculo superficial, chega a US$ 7,68/saca. Com certeza, esse valor passou a referenciar preços internos em torno de R$ 12,50/saca.
Falta ao milho um plano de abastecimento. Já que o tratamento do produto como cadeia produtiva tem dificuldade de emplacar, que o governo intervenha com instrumentos que regulem o abastecimento. Patamares de R$ 12,50/13,50/saca no período da entressafra não interessa ao produtor, que já dispôs da mercadoria. Da mesma forma, não interessa à indústria pagar preço vil na época da oferta e desestimular o plantio no ano seguinte. Esses extremos, que beneficiem apenas especuladores, prejudicam a maioria.
Analistas de mercados e corretoras apostam nas exportações. Acham que podem chegar a 1 milhão de toneladas. Porém, nos cálculos do governo, as exportações de milho devem atingir 600 mil toneladas neste ano. Se confirmadas, essas vendas poderiam render R$ 110 milhões para o país. Segundo o mercado, esses valores poderão ser maiores, dependendo dos preços do produto no segundo semestre.

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