A semana começa com muita expectativa. O Brasil deve reagir à suspensão das exportações de carne por parte dos Estados Unidos, Canadá e México. Está previsto um esforço das autoridades sanitárias e diplomáticas no sentido de abreviar o período da suspensão, que não ficou claro nas primeiras informações; aparentemente seria por tempo indeterminado.
Não se trata de reverter uma situação, afinal a questão é mais econômica do que sanitária e, no caso do Canadá, trata-se de mera retaliação. A vaca louca passa pela crise Bombardier versus Embraer, como analistas disseram a este jornal na sexta-feira. O que não isenta de crítica a postura reticente das autoridades brasileiras.
Embora o estrago à imagem da qualidade do produto junto aos consumidores europeus e norte-americanos seja de difícil reparo, que pelo menos se restabeleçam as negociações para a retomada das vendas o mais rápido. Afinal, os EUA também não podem prescindir, de uma hora para outra, da carne do dianteiro brasileira para atender sua forte indústria de frios e seu arraigado hábido de consumo de hambúrguer.
Quanto à diplomacia, que pelo menos se mexa, a partir desse episódio. E o Ministério da Agricultura também. Mas cabe à diplomacia avaliar a predisposição dos ‘‘parceiros’’ comerciais. Pela temperatura das divergências com a Bombardier, não seria difícil imaginar uma retaliação na primeira oportunidade. Além de não ter essa prospecção, o governo brasileiro não teria enviado ao Canadá informações sobre a situação sanitária do rebanho brasileiro. O Canadá precisava desse gancho.
Não se sabe o que pesou mais, se o amadorismo ou a negligência.
O Brasil dormiu no ponto, não fez uma leitura correta do cenário. Quando a pressão aumentou na União Européia, já se poderia imaginar numa estratégia envolvente; a UE não entregaria esse mercado de mãos beijadas.
Se o Brasil fosse competente não teria admitido a condição de ‘‘risco médio’’, quando teriam que nos considerar na mesma condição que Argentina e Uruguai. Por que a Secretaria de Defesa Sanitária não questionou essa ‘‘classificação’’ na época? Para ir mais longe, o Brasil, como importador/exportador de alimentos de origem animal, poderia inclusive questionar a forma como a UE tratou o problema Encefalopatia espongiforme, desde que a doença se acentuou, três anos atrás. Há técnicos argumentando que o tratamendo que a UE deu ao problema não foi nenhum primor.
O Brasil tinha possibilidade de dar um grande salto no comércio de carne. Agora vai amargar uns números a mais na sua já combalida balança comercial.

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