O Brasil está apostando na recuperação dos preços agrícolas para melhorar a entrada de dólares e recuperar a balança comercial em 2001. Mas os preços dos principais itens exportados não têm chance de recuperação, pelo menos neste semestre.
Com raras exceções, os preços das commodities agrícolas estão em baixa no mercado internacional, principalmente a soja, o café e o açúcar. A carne bovina tem algumas oportunidades. Chances de recuperação dos grãos são mínimas, a não ser por razões extra-mercado. A longo prazo, o quadro está bem delineado, com aumento de produção e estoques altos. Episódios como o da vaca louca alavancam temporariamente as vendas de carne e farelo de soja, mas logo a União Européia lança mão de artifícios que não deixam o mercado fluir livremente, como agora, ao lançar suspeita sobre o gado brasileiro.
Com base neste cenário, as previsões de saldo na balança comercial agropecuária devem ser revistas.
Pode ocorrer o mesmo que o ano passado em que o resultado foi negativo em relação a 1999, por conta do fraco desempenho das vendas de açúcar, café, óleo e farelo de soja.
Com excesso de ofertas da soja e com o café sem consenso entre os países fornecedores, depois do fracasso do plano de retenção, resta ao Brasil apostar na somantória de ações e fenômenos localizados.
Por exemplo, os espaços deixados para o farelo de soja e carne bovinas em decorrência da vaca louca. A União Européia não só substitui a ração animal à base de farinha de osso (por seis meses) como sai à procura de uma carne de menor risco.
Outro exemplo seria apostar na evolução das discussões e projeto antidumping contra as importações de lácteos da EU, Argentina, Uruguai e Nova Zelândia.
Haveria ainda a carne suína cujo aumento das exportações já foi beneficiado pelo avanço de medidas no campo sanitário.
De nicho em nicho, as exportações podem ser implementadas. E podem proporcionar uma situação confortável na balança até o final do ano. Só não se pode apostar no aumento, puro e simples, das exportações da forma tradicional.
Se não bastasse aumento da área da soja norte-americana - que não mudará de tamanho apesar de o governo aumentar os preços de garantia do milho e trigo -, ainda será necessário considerar a recessão nos Estados Unidos, uma questão macroeconômica que pega em cheio tudo o que estiver relacionado com o setor alimentício.
A redução dos juros de 6,0% para 5,5% ao ano, pelo Fed (Banco Central americano), ontem, não tem efeitos imediatos.
A agricultura de exportação, portanto, não está em situação confortável.
Resta apostar no mercado interno e fazer uma coisa que a equipe econômica não gosta: estimular o consumo.

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