Oswaldo Petrin
Calçados, têxteis, o complexo soja e o café vão ser penalizado com um arrocho comercial que mais dias, menos dias, os Estados Unidos vão impor ao seu mercado importador. Ninguém sai ileso de uma recessão nos Estados Unidos. Isto não é obra da globalização; é por conta da moeda mundial, que intermedia quase todos os negócios do mundo. Os Estados Unidos sabem como ninguém socializar seus prejuízos.
Pelo menos um cenário resultante dessa recessão já esta configurado: a retração econômica nos Estados Unidos está dando sinais de que pode dificultar os investimentos de empresas daquele país com sede no Brasil. Os primeiros sinais de que isto já está acontecendo são do setor de autopeças, afirma o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), Stefan Bogdan Salej.
Segundo ele, há casos de subsidiárias locais que estão interrompendo investimentos por ordem de suas matrizes. Outro impacto que não deve ser descartado é o provocado por um possível acirramento no protecionismo em produtos como o aço, que já enfrenta processos antidumping. O Brasil precisará ser mais agressivo na venda dos seus produtos, afirma o empresário, em entrevista à Valdete Cecato e Jaqueline Farid, da Agência Estado, ontem. Ele lembra que os americanos serão mais firmes na disputa pelos terceiros mercados.
O diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto Castro, concorda com uma possível onda protecionista. Além disso, afirma que as exportações para os EUA podem ser menores do que o previsto. Entre os setores que podem ser afetados, estão têxteis, calçados e o próprio aço. Espera-se, também, consequências negativas no mercado de commodities agrícolas.
A soja é um exemplo. O produto que, no ano passado, foi negociado, em média,a US$ 189,97 a tonelada, está sendo cotado a US$ 172 para entrega em maio. O café corre riscos mas, segundo o secretário-geral do Conselho dos Exportadores de Café Verde (Cecafé), Oswaldo Aranha Neto, torrefadores e indústrias têm margem suficiente para reduzir os preços e sustentar o consumo. O preço ao produtor caiu 50% em um ano e os consumidores continuaram pagando o mesmo valor, afirma. Segundo ele, os americanos são os maiores consumidores de café do mundo, com cerca de 18 milhõe sacas anuais.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT), Paulo Antonio Skaf, diz que seu setor continua preocupado com o protecionismo e a imposição de cotas. No entanto, diz que a participação do Brasil no mercado daquele país é tão pequena, que uma redução no consumo dos americanos não afetaria substancialmente as exportações. E cita um exemplo: o Brasil fornece apenas 24 milhões de camisetas, para um mercado que consome 3,5 bilhões.





