Oswaldo Petrin
Analistas e agentes econômicos festejam a redução, pelo Federal Reserve (Fed), de 6,5% para 6% dos juros dos fed funds. Como efeito imediato - registrei nesta coluna no mesmo dia do anúncio da medida - os grandes fundos de investimento tenderiam a migrar para o mercado de commodities e agitar os papéis da soja na Bolsa de Chicago.
Porém, para a economia no seu sentido macro, bem que a decisão do Fed poderia ser interpretada com alívio mas com receio, já que ela decorre da preocupação com o desaquecimento da economia norte-americana. E veio numa tentativa de reverter a inércia que ameaça outras economias em outros blocos. Afinal, nem tudo que é bom para os EUA é bom para outras economias de mercado; mas, certamente, o que não é bom para os EUA também não o é para os outros.
Qualquer que seja a interpretação, porém, analistas e o mundo acadêmico devem estar personificando a decisão no sr. Alan Greenspan. Seu nome, de novo, é evocado, como acontece todas as vezes que economia está em iminente impasse.
A estrela de Greenspan não chegou a brilhar como crises anteriores porque o cenário de recessão ainda não configura crise (apesar da decisão do comitê do Fed ter sido tomada em reunião extraordiária). Mas, certamente, ele teria, de novo, um importante papel. Como em 1998, quando a crise se espalhou da Rússia para a Ásia e para a América Latina.
Naquela ocasião, Greenspan, atuou como força estabilizadora para uma economia global cambaleante. Medidas tomadas em diversos setores da economia tinham o dedo do gurú dos maiores executivos. Teria evitado o pior, tanto quanto em outro episódio, o crash da Bolsa de 1987, com a implosão do mercado acionário, que, no Wall Street convencionou-se chamar de segunda-feira negra o dia 19 de outubro.
Grandes empresários e operadores de mercado projetam suas esperanças mais em Greenspan do que no FED. É mais forte do que a própria instituição que dirige, segundo definem seus admiradores.
Em The Greenspan Effect, um livro que reúne o pensamento de Greenspan sobre vários aspectos da economia, os autores fazem referências à influência exercida pelo presidente do Fed sobre a economia mundial. Os autores David B. Sicilia, Ph.D, consultor, historiador empresarial e escritor, e Jeffrey L. Cruikshank autor e co-autor de vários livros de economia, discorrem sobre as propostas do homem forte do Fed. O livro (O efeito Greenspan), que é editado no Brasil pela Makron Books e tem a tradução de Maria Claudia Ribeiro, é recomendado num momento como este para quem quiser conhecer o pensamento do homem forte do Federal Reserve, o banco central norte-americano.
Finalmente, sobre a redução dos juros americanos em 0,5%, cabe registrar ainda que o Brasil se beneficia, de imediato, do interesse dos ivestidores estrangeiros. Com juros menores - e menor custo do serviço da dívida -, o País deve atrair mais investidores e menos ataques especulativos. E pode apostar mais numa taxa de crescimento maior.





