Oswaldo Petrin
O setor sucroalcooleiro está sendo alvo de grandes negócios e tende a se tornar cada vez mais concentrado. Quem perder a corrida competitiva vai sendo abocanhado pelos grupos maiores. O problema é que o referencial para aferir essa competência, nem sempre é o profissional: entram componentes políticos.
Mas as mudanças que ocorrem também são consequência da política. É que muitas dessas usinas perderam as benesses do estado e não conseguem caminhar com suas próprias pernas.
A realidade agora é de mercado e os mais eficientes devem incorporar as empresas menos eficientes.
Mas o Paraná está fora dessa. Com a maioria de suas usinas (destilarias) dentro das cooperativas, o Paraná, certamente, não verá essas indústrias mudarem de mão. Não tão facilmente como no Estado de São Paulo.
Já no Estado de São Paulo, as fusões e aquisições de usinas ocorrem com certa frequência e já movimentam R$ 500 milhões.
O setor sucroalcooleiro deixará de ser tão pulverizado como é hoje, com mais de 300 donos de usinas de açúcar e álcool em todo o País. A previsão é do presidente da União da Agroindústria Canavieira (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho. O setor já assiste a um movimento de fusões e aquisições, que se intensificou no ano passado. Cerca de 10 empresas do segmento trocaram de mãos em 2000, negócios que movimentaram entre R$ 350 milhões e R$ 500 milhões.
O volume de transações foi recorde para um único ano, segundo levantamento da Agência Estado, conforme o repórter Nelson Carrer Júnior. Figuraram como principais compradores de unidades em São Paulo e Minas Gerais os grupos nordestinos de Tercio Wanderley (1 usina em MG), Carlos Lyra (2 em MG), Jorge Petribú (1 em SP), José Luiz Duarte da Silveira Barros (1 em SP) e José Pessoa de Queiroz Bisneto (2 em SP).
Em segundo lugar, ficaram os franceses, com a compra de usinas paulistas em Leme (Coinbra-Louis Dreyfus) e Ipauçu (Union SDA). As usinas paulistas São Martinho e Iracema se fundiram e a também paulista Uniálcool incorporou a sul-matogrossense Alcooverde.
Pelo menos outras quatro usinas no eixo Ribeirão Preto-São José do Rio Preto estão sendo sondadas. Alguns negócios foram fechados, mas a especulação cresceu em ritmo muito maior, queixa-se um usineiro da região de Ribeirão.
Para este ano, o presidente da União da Agroindústria Canavieira (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho, acredita que a movimentação de negócios perderá força. Ele conta que a crise dos dois últimos anos colocou muitas usinas em dificuldade, fator que está sendo driblado pela recuperação dos preços do álcool a partir do segundo semestre do ano passado. Quem estava em dificuldades acabou encontrando algumas possibilidades de melhorar o passivo da empresa, comenta Carvalho. Ele acredita que muitos usineiros ainda vão fechar negócio, mas antes darão um jeito de arrumar a casa para conseguir um preço melhor.
Além da crise dos dois últimos anos, a intenção de alguns usineiros de se desfazer do negócio foi influenciada pela desregulamentação do setor há três anos. As usinas não têm mais o aval do governo, que determinava quanto cada uma deveria produzir com a respectiva garantia de compra do produto com preço tabelado. A desregulamentação veio às vésperas de duas superssafras e a queda de preços no mercado derrubou a rentabilidade das empresas.





