Que o governo deixou de financiar a agroindústria (exceção de programas específicos da pequena agricultura, como o Pronaf, mesmo assim com flagrante deficiência) é algo sobejamente conhecido.
A frase ‘‘o atual modelo de crédito está esgotado’’ começou a ser repetida no início dos anos 90. Diante do fato, o setor teria de buscar outras fontes de financiamento. Vendas antecipadas, por exemplo, que, aliás não decolaram. Também frustou a idéia das CPR e CPR financeira.
De bom ainda resta a equalização dos juros, uma equação do Banco Central que assume a diferença entre as taxas - diferenciadas - do financiamento à produção, e as taxas de captação no mercado. Mas, em contraposição, o BC não faz valer a lei das exigibilidades, que obriga os bancos a destinarem 25% dos depósitos à vista ao financiamento agropecuário e agroindustrial. Os bancos procuram fugir do risco agrícola como o diabo foge da cruz e para isto têm o apoio do Banco Central.
O governo saiu do crédito, mas não saiu de cena.
Dias atrás, o ministro Pratini foi firme, no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, ao defender a posição brasileira contra subsídios e barreiras alfandegárias.
O que surpreende, porém, é o estudo divulgado neste final de semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), estudo este financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento. Mostrou que, no ano passado, apenas 0,02% de todo o dinheiro emprestado à agricultura tinha como fonte direta o Tesouro Nacional. Em 1994, esta participação era de 27,11% e em 1985 chegou a ser de 63,98%.
Com a dificuldade de buscar o dinheiro que está no banco, o setor agrícola vem encontrando alternativas para se financiar, como mostra matéria especial da Agência Estado, Valdete Cecato, neste final de semana. ‘‘As indústrias estão tendo um papel muito importante, principalmente nas novas fronteiras agrícolas do Norte e do Centro-Oeste’’, conta o coordenador-geral de políticas públicas do Ipea, José Garcia Gasques, uma das fontes citadas na matéria. Segundo ele, por meio de um sistema de trocas, as empresas financiam os produtores, via fornecimento de insumos. Mas não abrem mão da garantia real, normalmente uma hipoteca feita em cartório.

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