Oswaldo Petrin
Gabriela Mainardes, de Ponta Grossa: O artigo publicado na edição de ontem 18/1, da Folha do Paraná (Varejo não acompanha) esclarece bem a relação que estou tentando apresentar em matéria que será publicada domingo, no jornal Diário dos Campos, na editoria de Economia. A matéria trata apenas de Ponta Grossa, município que tem a maior arrecadação de IPI no estado, depois de Curitiba; apresenta crescimento em produção da indústria e ampliação de parque industrial; bom desempenho do setor agrícola; e crescimento de arrecadação, em geral (segundo balanços de 2000).
Leitor de Campina
da Lagoa mostra
situação de
equilíbrio no milho
no 2º semestre
No entanto, a distância entre percentuais de crescimento e os dados sobre a evolução da ponta indicam morosidade no desenvolvimento. Prévia do setor supermercadista aponta aumento de, no máximo, 5% nas vendas em relação a 99. E o mais gritante indicativo da disparidade na distribuição da riqueza: a cidade apresenta o maior número de favelas, também depois da capital. É difícil estabelecer relações exatas de causas/consequências sobre a realidade econômica de uma cidade. Contudo, temos alguns depoimentos sobre tendências de mercado e desenvolvimento local. O tema do artigo, portanto, traz o direcionamento que eu estava buscando para desenvolver a matéria.
Obrigada.
Nota: Gabriela Mainardes é repórter da área de Economia do Diário dos Campos, de Ponta Grossa. Parabéns pelo bom trabalho no Diário.
Marcelo L. A. Favarão, de Campina da Lagoa: Nos últimos dias muito se fala sobre o mercado de milho. A safra a ser colhida realmente será das maiores, e somente esta informação já basta para os grandes compradores se retraírem e derrubarem o preço deste produto. Estes mesmos compradores que hoje estão abastecidos, graças à importações de milho da Argentina e Estados Unidos. Informações como esta são pouco noticiadas, mas como será que o consumidor reagiria ao saber que está comendo carne de suíno e frango alimentados com milho transgênico?.
Estas mesmas indústrias que controlam o mercado de milho se baseiam em números que lhes favorecem, mas, para variar um pouco, aqui vão alguns dados que irão deixá-los com a pulga atrás da orelha:
O consumo anual de milho no Brasil é de 36 milhões de toneladas. A atual safra está prevista em torno de 30 milhões de t. E a safrinha deste ano, que forneceria o restante para fechar esta conta, não será metade da que foi colhida ano passado. Quem é agricultor ou está diretamente ligado ao setor sabe disso. Eu sou agricultor e plantarei 40% do ano passado. Basta se informar nas cooperativas. Não haverá crédito para custeio e não haverá seguro. Devido a isto, o agricultor não irá arriscar no milho plantado em março.
Mas agora vem algo realmente interessante. Ontem conversei com um corretor de cereais de Cascavel e ele me disse que já foram exportadas 700.000 toneladas de milho, de dezembro até agora. Perguntei o porque desta informação não ter sido largamente divulgada e ele afirmou que muitas cooperativas que estão exportando não o admitem, por receio de retaliações dos grandes compradores. Idêntica frase usada por um gerente de cooperativa quando perguntei se estão exportando milho. Além de tudo isto, existe o crescimento na produção de aves e suínos. Então não seria absurdo dizer que existe a possibilidade de faltar milho no segundo semestre, só que desta vez, nós produtores não deixaremos desembarcar o milho transgênico, e se isso ocorrer, nos certificaremos de informar aos consumidores as empresas que o estão utilizando.
Nota: Marcelo Luiz Anizeli Favarão é presidente do Sindicato Rural de Campina da Lagoa e membro da Comissão de grãos da Faep.
Adelmo R. N. Prates, de Cascavel: Parabenizo o leitor Ruy Pigatto, de Curitiba pelas observações feitas nessa coluna no último sábado (20/1), referente às contradições da economia. Pena que, talvez como ele, todos nos sentimos um tanto impotentes para exercer o direito - ou o dever - de mudar alguma coisa.
Ruy Pigatto, de Curitiba (apresentando sugestões sobre reforma tributária e medidas para corrigir distorções; distribuição de renda e outros pontos completando abordagem na semana assada).
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