O Comitê de Política Monetária (Copom) tem o poder fantástico de compatibilizar indicadores da política econômica com os ajustes da política monetária que ele próprio define, através das taxas de juro básico anualizadas. É um colegiado de conhecimento técnico e poder de decisão privilegiados. Esta mágica - de fazer inveja a qualquer mortal - está expressa na ata que o colegiado divulgou ontem com base nas posições das duas últimas reuniões.
Técnicos iluminados mantêm suas previsões sobre cenário econômico mundial e até mesmo acima do clima, pois suas previsões ignoram que uma frustração pode refletir no comportamento dos preços.
Ironia à parte, já se sabe tudo sobre o cenário de 2001. É para ler e aplaudir.
Aliás, expectativa de inflação do mercado para 2001 recuou ligeiramente desde a última reunião do Copom, no ano passado. De acordo com a ata, as projeções para o IPCA recuaram de 4,3% para 4,2%. Para 2002, a média das projeções de mercado estava em 3,82%. O documento (divulgado ontem pela Agência Estado) ressalta que essas projeções encontram-se em linha com as metas de inflação para este ano e para o próximo.
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) revela que a diretoria do Banco Central, ao avaliar o núcleo de inflação do IPCA no final do ano passado (que manteve-se praticamente estável em 0,33% em dezembro), sugere níveis de inflação mensal compatíveis com a meta estabelecida para 2001 (4% ao ano).
O documento ressalta no entanto que o núcleo de inflação medida pelo IPC-BR, índice calculado e divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), subiu de 0,36% para 0,50% ao final de 2000, porcentual ‘‘bem acima’’ da média mensal de 0,28% verificada no primeiro semestre do ano passado. ‘‘Os indicadores de núcleo de inflação do IPCA, usando o método de exclusão (por exemplo, excluindo preços administrados e alimentos) indicam taxas compatívies com o cumprimento das metas’’, afirmam os diretores no documento divulgado hoje.
De acordo com a ata, a média das expectativas do mercado para a variação do IPCA este ano ficou em 4,20%, recuando do nível de 4,3% observado na reunião do Copom de dezembro do ano passado. Para 2002, a expectativa média do mercado é de uma inflação de 3,82%. Estas médias são apuradas pelo BC por meio de pesquisa diária com o mercado financeiro.

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