Aos poucos as estatísticas vão se encaixando e o desempenho econômico fica mais claro: a economia não cresce na direção da prosperidade ou da distribuição de riquezas. Naturalmente que os indicadores convencinais continuam mirando para crescimentos entre 4,5% e 6%. Outros índices, localizados, apontam percentuais maiores ou menores, dependendo do setor.
Mas, uma coisa é certa: os parâmetros aferidores da distribuição desse crescimento ficam cada vez mais contraditórios. E apontam, de imediato, que o crescimento, se existe, não é homogêneo. É contraditório, pelo menos sob o aspecto social, na medida em que admite que haja crescimento industrial sem crescimento de consumo. Para citar uma variável apenas esse crescimento difuso.
E ontem, por exemplo, a Abras, que representa os supermercados, divulgou o desempenho do seu setor. Os supermercados, se descontada a inflação, faturaram no ano passado menos que em 1999.
O indicador de consumo - pelo menos um, o do varejo - não acompanha o crescimento industrial, portanto. Ressalve-se, porém, que a queda das vendas, que foi de 1,23% em termos reais, veio acompanhada, no entanto, de um aumento do volume físico de vendas.
A explicação da Abras é que o faturamento só caiu porque o varejo adotou como medida de inflação o IGP-DI. Ao calcular o faturamento real por meio do desconto da inflação, a Abras usou o IGP-DI, cuja variação foi de 9,81%. O IPCA, por exemplo, subiu apenas 5,97%. Ao escolher aquele deflator, o valor real das vendas ficou menor (ver matéria nas páginas de Economia).
Ressalvada a explicação sobre a mudança de critérios técnicos, resta saber se pela metodologia anterior o crescimento teria acompanhado o desempenho da indústria. Claro que não.
Para o novo ano, as previsões são diferentes. Uma das vertentes do crescimento projetado inclui o aumento da demanda agregada de bens, ou seja o aumento do todo, de alimentos (que envolve todos os extratos sociais) até os duráveis. Tanto que a indústria de alimentos se prepara para isto. Não se sabe exatamente em que setor estão se apoiando. Talvez numa inflação comportada de 4% e em uma estabilidade econômica mantida ‘a custa de juros altos.

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