Oswaldo Petrin
Finalmente uma estatística que expressa a realidade do consumo no Brasil. Até agora, os relatórios - das indústrias e dos órgãos de governo - convergem para o crescimento comemorativo. Mesmo com médias abaixo de 4,5%, o governo comemora. Ninguém questiona a metodologia que expressa este crescimento. Tampouco se questiona se esses percentuais realmente expressam prosperidade. Claro que não: tal crescimento fica abaixo da taxa de crescimento demográfico acima de 5,5%. Portanto, quando muito, temos aí um desenvolvimento vegetativo.
Medido pelo aumento do consumo de bens imediatos, ou seja os não-duráveis aqueles que sustentam a sobrevivência do setor forte, o da produção (e consumo) de alimentos a economia está estagnada, ou com baixo crescimento.
Tanto é verdade que esse setor, o da comida, pouco cresceu. O próprio IBGE reconhece: o grande freio à recuperação da indústria tem sido o ramo de alimentos, cuja queda acumulada no ano, em novembro, chegou a 10,3%.
Esses produtos são muito sensíveis ao poder de compra do consumidor - diz o IBGE - que não teve a mesma recuperação da taxa de desemprego do País.
É o que se pode concluir da notícia que toda a imprensa deve divulgar nesta terça-feira. As estatísticas, pela sua metodologia - e não necessariamente porque sejam manipuladas - têm escamoteado a realidade. Há indicadores localizados, demasiado otimistas. Outros mais claros.
O que os analistas têm colocado como pavimento para o crescimento econômico este ano - como se fosse a solução para problemas nacionais - são cenários macroeconômicos favoráveis. Mesmo assim, conferem pouca importância à variável externa, às vezes determinante, principalmente hoje, quando está em jogo nada mais nada menos que o desempenho da economia norte-americana (ainda sem dar resposta à recente redução da taxa de juros, pelo Banco Central Americano, de 65,5% para 6% ao ano).
A propósito, o Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne amanhã, deve reduzir o juro básico no Brasil em 0,25% a 0,75%. A decisão, no vácuo da decisão do FED, é pelo menos alentadora.
A notícia: segundo o IBGE, o nível da produção industrial cresceu, em novembro, em quase todos os locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As maiores expansões, na comparação com novembro de 1999, ocorreram no Rio de Janeiro (10,8%), Espírito Santo (10,5%), Minas Gerais (6,7%), Rio Grande do Sul (6,3%) e Ceará (5,8%).
Registraram aumento na produção os estados de Santa Catarina (4%), Paraná (2,8%) e São Paulo (0,7%). Apenas a Bahia (-6,2%) e Pernambuco (-1,5%) registraram queda na produção em novembro na comparação com mesmo mês de 1999.





