No decorrer desta semana a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) deve divulgar os critérios de comercialização dos contratos de bezerro, uma novidade que pode mudar os parâmetros de um segumento importante da pecuária de corte, o mercado de reposição. Esse mercado, segundo da BM&F, movimenta 15% do valor bruto da pecuária de corte em toda a sua cadeia produtiva.
O mercado futuro tem suas especificidade mas pode se tornar referencial para o mercado físico, que é o mercado principal. O setor clama pela mudança de métodos, havendo quem defenda o critério de peso-vivo, como é feito no Rio Grande do Sul.
É bom que se diga: nessa modalidade da Bolsa não haverá liquidação física. A liquidação será feita através de um índice de preços que já está sendo calculado pela BM&F.
A entrada da BM&F no mercado de bezerros foi anunciada na semana passada juntamente com outras novidades para a soja e o café. O presidente da BM&F, Manoel Felix Cintra Neto, comunicou a criação de três novos contratos de futuros agrícolas no decorrer de 2001.
O primeiro deles é o contrato de bezerro. Também serão lançados em 2001, o contrato futuro de diferencial de preços de café e o contrato futuro de diferencial de preços de soja.
O contrato já está aprovado pela bolsa e deverá começar a ser negociado em março. Foi elaborado por técnicos da Esalq - Escola de Agronomia Luiz de Queiroz, de Piracicaba, e da própria bolsa.
Segundo Félix Schouchana, diretor-adjunto de Mercados Agrícolas da BM&F, o contrato de bezerro é um desdobramento do mercado de boi gordo, que visa o hedge na hora da reposição de animais.
Conforme esta coluna já informou na semana passada - com informações a Agência Estado - o contrato está sendo criado porque é essencial para o pecuarista saber a relação de troca entre o boi e os bezerros, ou quantos bezerros está valendo o boi’’, disse. O animal que será tomado como base para o contrato será o bezerro desmamado, de 8 a 12 meses, com o ponto de entrega sendo o Mato Grosso do Sul.
Outros dois contratos de futuros agrícolas estão sendo elaborados para entrar no mercado em 2001. O primeiro deles será o contrato futuro de diferencial de preço do café entre Brasil e Nova York. Este diferencial já é calculado pela BM&F e ele é sempre negativo pois existe um deságio do café físico brasileiro em relação ao preço negociado na bolsa de Nova York. Este diferencial é cotado em centavos de dólar po libra-peso e o contrato futuro iria operar sobre a volatilidade deste diferencial. Segundo ele, o contrato ainda está sendo elaborado. Se o contrato de diferencial de café tiver uma boa recepção, também lançaremos o contrato futuro de diferencial de soja’’, disse. Este contrato seria elaborado com o diferencial da soja entre o preço físico no Brasil e Chicago.

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