-O Estado do Paraná quer retomar a produção de algodão. A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento lança uma campanha no próximo dia 25, às 10 horas, em Ivaiporã, para anunciar os incentivos que o governo do Estado pretende dar aos produtores, através de subsídios e financiamentos, totalizando R$ 26 milhões. A meta do Paraná é plantar 250 mil hectares (ante os 59,7 mil ha no ano passado).
-Na outra ponta, a da indústria têxtil, a leitura do mercado, no longo prazo, é otimista: está indicando que a farra da importação, tanto de matéria-prima como de tecidos e confecções, diminuiu seu ímpeto. Esta semana a Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (Abravest) festejou resultados positivos e previu expansão da produção. Sem prognóstico de consumo não teria como fazer esta prospecção. Naturalmente que a avaliação se refere a todas as matérias-primas e não apenas o algodão.
-Segundo a Abravest, a produção industrial do vestuário, nos primeiros seis meses deste ano teve crescimento de 23,19% sobre igual período do ano passado, que teve desempenho perto de zero. Foram produzidos 2,2 bilhões de peças, contra 1,8 bilhão em 96. Com base neste crescimento, a Abravest projeta uma produção de 4,2 bilhões de peças no ano, ou 11% acima do resultado alcançado em 96. O consumo de matéria-prima também atingiu resultado positivo no semestre com incremento de 20%. Foram consumidas 551 mil toneladas ante 459 mil toneladas em 96.
-Outros dados divulgados pelas indústrias esta semana indicam que no segmento de camisas e blusas houve aumento de 23,02% sobre o mesmo semestre de 96.
-A ressalva é com relação ao mês de junho: houve um ligeiro recuo (-0,11%) em comparação ao mês de maio. A variação acumulada do semestre fechou negativa em 0,78% sendo que o IPC no período registrou alta de 4,12%. A entidade reúne 18 mil indústrias.
-Como no ambiente macroeconômico o País está experimentando uma certa recessão, há uma tendência de os preços caírem ainda mais na nova coleção primavera-verão. A indústria está se adaptando à atual conjuntura e criando roupas menos sofisticadas que no ano passado, segundo Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, em entrevista a Rosangela Capozoli da AE. Ele acredita que a nova coleção deverá chegar às prateleiras com preços entre 10% e 12% mais baixos que em 96.
-Depois do golpe das importações, o produtor, resignado, pode vislumbrar vantagem em voltar a produzir. O mercado se encarregará desse resgate. O País já foi grande produtor e exportador de matéria-prima. Mas há que haver incentivos do governo, é uma demanda do lado social. Milho/preço

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