Romeu C. Royer, de Curitiba: ‘‘Com a declaração do Estado do Paraná como área livre da peste suína clássica, oficializada em Brasília no dia 10 de janeiro, a suinocultura vive momento histórico e decisivo para sua consolidação e e expansão.
Newton C.F. Tonella, de Cianorte: ‘‘Vivendo e aprendendo, ou apenas vivendo...A notícia sobre avestruzes (‘‘Carregamento de avestruzes chega hoje ao Porto de Santos’’, 5/1, pág 4) despertou a nossa curiosidade ao informar que ‘‘uma fêmea é capaz de gerar até 40 filhotes’’. Fiquei a imaginar, sensibilizado, como deve ser bela (e grandiosa!) mamãe avestruz grávida, cercada de todos os cuidados...’’.
A história da suinocultura paranaense se dividirá entre antes e depois deste 10 de janeiro de 2001. Esta será uma data histórica para todos nós, pois culminou um trabalho de 22 anos pela melhoria da sanidade e da qualidade do rebanho suíno do Estado.
A partir deste momento, podemos pensar em novos tempos para toda a cadeia produtiva do suíno.
Foi resultado de um esforço conjunto, que uniu o Ministério da Agricultura, o governo do Estado, as associações, as indústrias e o produtor, iniciado em 1978, quando surgiu a Peste Suína Africana, num episódio até hoje não esclarecido.
Na época o Paraná já era área livre da peste suína e exportava carne e derivados para diversos países. Surgiu então a doença. Perdemos so mercado externo e fomos obrigados a recomeçar tudo de novo, em termos de sanidade do rebanho. A vitoria final veio agora e só foi possível graças ao envolvimento de todos os segmentos da cadeia produtiva e do poder público, a partir da criação da consciência coletiva sobre a questão sanitária. Todos fizeram sua parte.
Mesmo enfrentando dificuldades enormes, como a falta de rentabilidade, devido às oscilações dos preços do suíno e elevação dos custos de produção, os produtores, através de suas entidades, ou isoladamente, deram sua contribuição para que se atingisse essa meta. Prova da extensão do nosso esforço está no mercado interno, que era o único ao nosso alcance. Durante muitos anos o consumo de carne suína per capita no País ficou entre 8 e 9 kg/ano, mas em 1999 chegamos a 10,7 kg per capita/ano. e fechamos o ano 2000 com mais de 12 kg. Isto na média; no Sul do País já é superior a 24 kg. Isso é apenas 50% do consumo da Europa. Mas estamos progredindo e devemos isso às autoridades fedeais e estaduais, às indústrias e ao produtor, que lá na sua propriedade, mesmo às vezes com prejuízos, nunca deioxu de apostar e investir em qualidade e sanidade.
Portanto, a erradicação da Peste Suína Clássica foi fruto desse trabalho harmônico de iniciativa privada, dos governos e principalmente à organização e determinação dos produtores.
Em 1994 criamos o Fundo da Peste Suína Clássica para combater a doença, com a contribuição paritária de produtores e indústria. Cada segmento colaborou com o valor correspondente a 75 gramas, totalizando a média de 13 centavos de real, por suíno abatido.
Isso nos possibilitou 2,5 milhões de reais, que forma investidos na sanidade do rebanho do Estado no último 7 anos. Esse dinheiro já foi recuperado com a declaração do Paraná como área livre da doença. Ela mudou a imagem da ossa suinocultura no País e exterior.
O consumidor paranaense e brasileiro tem agora certeza que o nosso produto tem qualidade e sanidade e o mesmo acontecerá com os países importadores, por mais exigentes que sejam.
Nossas metas são agora buscar os mercados europeu, asiático e africano, além dos países do Mercosul. O Paraná tem hoje 4,2 milhões de cabeças, inúmeros frigoríficos habilitados a exportar e pode aumentar a produção, mas isso só poderá acontecer com o crescimento da demanda interna e externa.
Antes de aumentar a produção, nossos produtores devem consultar as associações, avaliar o mercado e levar em conta até mesmo a disponibilidade de milho. Não podemos cometer os erros do passado’’. Romeu C. Royer é presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS).

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