Oswaldo Petrin
Um ano otimista. Um bom começo de século e milênio. É assim que os agentes econômicos estão vendo a economia. É melhor assim, em todos os sentidos. Eleva a estima do povo brasileiro, há tempo na relva. Porém, não é prudente transformar isto em sucesso da política econômica do governo, uma política inibidora do desenvolvimento.
Só para justificar a nossa preocupação: cada vez que a imprensa divulga resultados otimistas, muitos comerciantes, pequenos industriais e os próprios analistas de mercado questionam o papel da divulgação, às vezes considerado vetor desse otimismo sobre dados trabalhados.
Querem ver? a cada dia surgem dados que não chegam a ser contraditórios, apenas desautorizam comemorações palacianas. Ainda ontem a própria Confederação Nacional da Indústria (CNI) - que engrossa o ufanismo oficial -, divulgou um indicador pé-no-chão. Seguinte: pela primeira vez desde 1992, deve haver aumento no número de empregos gerados pela indústria brasileira. Desde 1992.
De acordo com dados da CNI, no acumulado de janeiro a novembro do ano passado, os postos de trabalho no setor aumentaram 0,68%. E quem coloca os pingos nos is é o próprio presidente da entidade: Pela primeira vez, desde que iniciamos a série de indicadores industriais, deveremos fechar um ano com aumento na geração de empregos em relação ao ano anterior, afirmou o sr. Carlos Eduardo Moreira Ferreira, que é deputado (PFL-SP).
Nas vendas a situação é a seguinte, conforme a Agência Estado ontem. As vendas reais da indústria brasileira atingiram, em novembro do ano passado, seu maior nível desde janeiro de 1992, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo o documento Indicadores Industriais da CNI, as vendas no setor tiveram crescimento de 0,75% em novembro, em relação a outubro do ano passado. Os estados que mais se destacaram foram Rio de Janeiro, que registrou um crescimento de 16,53%, e Amazonas, com 16,43%.
É preciso reconhecer que os indicadores de desempenho da indústria brasileira registram uma variação positiva em relação ao apurado no ano de 1999. De acordo com os números divulgados pela CNI, referentes a novembro, praticamente todos os indicadores avaliados registraram variação positiva no acumulado do ano.
As vendas reais do setor cresceram, de janeiro a novembro de 2000, 10,71%, melhor resultado apurado em mais de 12 anos. Os salários líquidos aumentaram 2,50% no mesmo período. Houve também um crescimento de 4,06% nas horas trabalhadas. O setor registrou 82,01% na utilização da capacidade deprodução instalada, melhor nível desde janeiro de 1992.
No entanto, para reverter o quadro de desemprego, baixo consumo, iliquidez dos pequenos comércios do interior do País, falta muito. Há uma estatítica - real e verdadeira - que expressa o desmpenho dos grandes centros. Mas o interior brasileiro está à margem desse processo. Principalmente as centenas de praças que dependem do desempenho da agricultura. Não corre dinheiro no interior - afirmam os leitores. Eles cobram uma posição da imprensa. Querem saber com quem fica a partilha do bolo.





