Uma boa notícia para os leitores que, durante o ano passado, participaram da polêmica, nesta coluna, sobre comercialização de bezerros. Foi sugerido como solução que os terneiros fossem comercializados por peso-vivo, divididos entre duas ou três faixas etárias apenas.
Ontem, a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) anunciou a criação de três novos contratos de futuros agrícolas para este ano. O primeiro deles é o contrato de bezerro. Também serão lançados em 2001, o contrato futuro de diferencial de preços de café e o contrato futuro de diferencial de preços de soja.
O primeiro a entrar no mercado deverá ser o contrato futuro de bezerro. Segundo o presidente da Bolsa, Manoel Félix Cintra Neto, à Agência Estado, o contrato já está aprovado pela bolsa e deverá começar a ser negociado em março. Segundo Félix Schouchana, diretor-adjunto de Mercados Agrícolas da BM&F, o contrato de bezerro é um desdobramento do mercado de boi gordo, que visa o hedge na hora da reposição de animais.
O contrato está sendo criado porque é essencial para o pecuarista saber a relação de troca entre o boi e os bezerros, ou quantos bezerros está valendo o boi. O animal que será tomado como base para o contrato será o bezerro desmamado, de 8 a 12 meses, com o ponto de entrega sendo o Mato Grosso do Sul. Porém, não haverá liquidação física. A liquidação será feita através de um índice de preços que já está sendo calculado pela BM&F.
Outros dois contratos de futuros agrícolas estão sendo elaborados para entrar no mercado em 2001. O primeiro deles será o contrato futuro de diferencial de preço do café entre Brasil e Nova York. Este diferencial já é calculado pela BM&F e ele é sempre negativo pois existe um deságio do café físico brasileiro em relação ao preço negociado na bolsa de Nova York.
Este diferencial é cotado em centavos de dólar po libra-peso e o contrato futuro iria operar sobre a volatilidade deste diferencial. Segundo ele, o contrato ainda está sendo elaborado. Se o contrato de diferencial de café tiver uma boa recepção, também lançaremos o contrato futuro de diferencial de soja. O contrato seria elaborado com o diferencial da soja entre o preço físico no Brasil e Chicago.
O contrato futuro de açúcar é o que mais tem registrado negócios através do sistema eletrônico, inaugurado em setembro de 2000. Segundo Félix Schouchana, diretor-adjunto de Mercados Agrícolas da BM&F, em alguns pregões, 20% do total negociado foi realizado através do sistema eletrônico. Na média, os negócios via sistema eletrônico ficam em torno de 10% para o açúcar. Porém, Schouchana não acredita em migração do sistema de ‘‘viva voz’’ para o ‘‘eletrônico’’.

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