Oswaldo Petrin
Nem os números do crescimento industrial - que ganham destaque na imprensa, hoje - devem ensejar tanto ufanismo. Nem os dados da balança comercial - que inicia o ano com déficit - devem ser considerados pessimistas, pois esses números de poucos dias úteis nada representam. Como acontece sempre no início do ano, o movimento de compras e vendas foi baixo. No total, o país exportou US$ 789 milhões e importou US$ 793 milhões. As importações, pela média diária, foram 18,6% menores que as registradas em dezembro. As exportações, 15,3%.
A manutenção do crescimento industrial no ano de 2001, de acordo com a análise do economista Sílvio Sales, do IBGE, deverá ter como destaque o segmento de produtos de consumo imediato, os bens de consumo não-duráveis.
Se confirmada, a previsão inverte uma tendência registrada no ano passado, quando o crescimento foi liderado pelos bens de capital - máquinas e equipamentos - e pelos bens de consumo duráveis, como automóveis e eletrodomésticos.
No acumulado até novembro de 2000, o segmento de bens de consumo não-duráveis e semiduráveis (alimentos, bebidas, vestuário e outros) foi o único com desempenho negativo (queda de 1,2%).
A produção de bens duráveis cresceu 19%; a de bens de capital, 13,9%; e a de bens intermediários (petroquímicos, papel e celulose e outros), 6,9%.
De acordo com Sales, esse comportamento da indústria reflete um perfil de recuperação sustentada da produção. Ele afirmou que os números de 2000 refletem os investimentos no aumento da capacidade produtiva (bens de capital) e na melhoria da oferta de crédito (aquisição de bens duráveis).





