O governo se compromete perante o FMI a manter a inflação em 4% no próximo ano. Variáveis como taxas de juros, preços internacionais do petróleo, oferta de alimentos e ‘‘boa administração cambial’’, darão suporte à contenção do índice.
Do conjunto de metas, suscita dúvida a questão cambial, bem comportada até agora, mas muito dependente do ambiente externo. As demais estão mais ou menos delineadas, exceção talvez da oferta de alimentos porque passa por fatores imponderáveis como o clima. Mesmo assim, o governo joga com a possibilidade da importação, ainda que isto esbarre no fator cambial.
As peças estão exposta e suas funções definidas. Na prática, porém, duas serão as âncoras - a exemplo do que vem ocorrendo há algum tempo: disponibilidade de alimento barato e arrocho salarial (somado ao desemprego) para que a demanda não inflacione.
Permeando o exercício da política econômica ano que vem, há um pouco da filosofia rural, talvez aplicada no sítio de FHC em Ibiúna: ‘‘para cavalo comedor, cabresto curto’’. Sem pressão da demanda, controle de preços se torna menos problemático.
Por que a conta tem de ser paga, de novo, pela produção de alimentos e pelos baixos salários?
Porque novamente o governo não vai abrir mão dos reajustes (na verdade são aumentos reais) das suas tarifas. Ontem o Comitê de Política Monetária (Copom) disse ter projetado as taxas de juros básicos em cima - entre outros fatores - dos aumentos das tarifas públicas, segundo ele de 6% em 2001.
Mas, se o governo projeta inflação de 4% e as tarifas públicas podem crescer 6%, alguém vai ter que trabalhar mais barato e se sacrificar em nome desse diferencial. Históricamente todos sabemos quem é este alguém.
Ora, se se prevê redução dos preços internacinais do petróleo ( apontado como favorável na composição do novo cenário) por que a tarifa pública combustível tem que aumentar de novo?
Ainda mais que a gasolina subiu 36,6% este ano, contra a inflação em torno de 6%.
Mas os técnicos do Ministério da Fazenda garantem que não. E exibem um ponto importante: o preço da gasolina será revisado - para baixo - a cada três meses.
A queda dos preços do petróleo lá fora sugere o fim de um ciclo de dois anos em que o petróleo figurou como principal choque externo para a economia brasileira. Esta é a leitura do Conselho de Política Monetária divulgada ontem.
O papel de vilão ficaria para outros setores como os contratos de telecomunicações e energia elétrica, os preços do transporte público e as tarifas postais.

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