Oswaldo Petrin
O aumento real de quase 6% no faturamento das cooperativas do Paraná expressa a competência dos dirigentes do setor, sem deixar dúvida. Principalmente quando se enfrenta a conspiração de duas grandes adversidades que marcaram o ano: a do clima e a de uma política econômica idéia-fixa que prioriza o controle da inflação, custe o que custar. A inflação, mantida sob controle, sustenta politicamente o governo, mas arrebenda economicamente o setor produtivo.
Mesmo assim, as cooperativas souberam negociar e articular com diferentes correntes de pensamento que permeiam um governo que não é unânime.
Quanto ao desempenho das cooperativas não pode ser visto linearmente pelo seu faturamento no item grãos. Este, embora o principal no caso do Paraná, não é parâmetro suficiente para aferir a performance das cooperativas. Há que se considerar outros indicadores.
O ano, para as cooperativas, também marca um grande retrocesso em âmbito nacional - Paraná no meio - ainda que o discurso de dirigentes do setor encontre justificativa para amenizar a flagrante perda. Seguinte: de grandes produtoras de derivados de leite, alguns sofisticados como os iogurtes e achocolatados, as cooperativas tendem a restringir sua ação à coleta e processameto do leite, que entregam, certinho, para grandes indústrias do setor.
Esse novo papel das cooperativas de produção (e, outrora, industrialização) vai contra o maior objetivo do setor nos últimos anos, que foi o de agregar valor ao produto primário. Foi com esse discurso que as cooperativas investiram capital do associado em grandes estruturas industriais.
No ano de 2000 foram tantas as fusões, vendas ou transferência de controle de marcas que pouco restou às cooperativas no âmbito da industrialização.
Uma coisa parece certa: a transferência de espaço para grandes indústrias de derivados pára por aqui. E que ninguém deva temer pelo enfraquecimento ainda maior de suas cooperativas. Elas farão bem esse papel de coleta. Conhecem cada pedaço desse chão. Coisa que as grandes marcas não fariam, pois é mais inteligente receber o produto na porta da indústria.
Como acontecia nos anos 70, antes da explosão da soja - ponto de apoio na alavancagem das cooperativas - voltamos a segurar a vaca para os outros. No caso do leite, literalmente.
Afora essa questão, o cooperativismo fecha o ano vitorioso.
E, se o setor perde no leite, ganha no crescimento das cooperativas de crédito, um dos fatores mais positivos do ano. No caso do Paraná, houve aumento de 42% na captação de recursos, com as cooperativas administrando recursos superiores a R$ 185 milhões, conforme dados da Ocepar no seu balanço de ontem.
LEITURA DINÂMICA





