Oswaldo Petrin
O Brasil não soube compensar - com aumento do volume exportado - a queda dos preços internacionais das principais commodities. O País teria de ampliar em 12% a média de seis produtos (carne bovina, frango, café, farelo de soja, soja e suco). Como não conseguiu, acabou sofrendo duplo impacto: o da queda dos preços e do volume exportado.
No segundo semestre a performance exportação/importação foi prejudicada principalmente pelo café. Uma desastrosa política de exportação travou o mercado e o País perdeu espaço até para o Vietnã.
Ontem saíram os dados da balança comercial, apontando um déficit acumulado de
US$ 667 milhões. Os analistas já antecipam que o quadro não será revertido no primeiro trimestre do próximo ano.
A balança comercial registra, portanto, um dos maiores déficit. No início do ano, quando o governo projetou um superávit de US$ 4,4 bilhões, alguns técnicos contestaram. O governo não tinha cenário suficientemente definido - tampouco favorável - para tamanho chute. Acreditando no próprio exagero, o governo se acomodou e ainda sofreu alguns contratempos que não conseguiu contornar, caso da carne, com a febre aftosa.
À última hora o País anunciou taxas para produtos importados - com subsídios comprovados na origem. Mas isto não foi levado a sério na Organização Mundial do Comércio. A promeça não passou de discurso para agradar os agricultores, prejudicados pelas portas sempre escancaradas para produtos importados.
E a Agência Folha ainda faz a seguinte observação: se forem contabilizados os aviões devolvidos pela Vasp, no total de US$ 370 milhões, o saldo comercial já estaria negativo em US$ 1,037 bilhão - resultado pouco inferior ao déficit de todo o ano passado, que ficou em US$ 1,251 bilhão. Inferior também ao superávit de US$ 2,8 bilhões estimados em meados do ano, quando o Ministério do Desenvolvimento percebeu que suas previsões iniciais não seriam cumpridas.
Do lado das importações, o país já estourou a meta. Os técnicos do Ministério do Desenvolvimento esperavam importações de US$ 53,6 bilhões. Até a última semana, o país já havia importado US$ 54,9 bilhões.
Inferior também à última projeção da secretária de Comércio Exterior do Desenvolvimento, Lytha Spíndola, que previa um déficit de até US$ 200 milhões.
Os números de importação e de exportação previstos em junho não se confirmaram. O país precisaria exportar US$ 2,2 bilhões nesta semana para alcançar a meta de exportações de US$ 56,4 bilhões. A média mensal de exportações até novembro foi de US$ 4,6 bilhões.
No mês de dezembro, como aconteceu na maior parte do ano, as exportações de manufaturados puxaram o crescimento das vendas para o exterior. Pela média diária de embarques, as vendas de bens industrializados subiram 27,3% em comparação aos embarques diários de dezembro do ano passado.





