Oswaldo Petrin
Se os juros básicos da economia não fossem reduzidos ontem, seriam reduzidos quando? Afinal, o ambiente externo não é desculpa para ajustes defensivos, a despeito de ajustes nos EUA. E o interno expressa uma economia apática, engessada, de baixa demanda. Nesse contexto, o Comitê de Política Monetária (Copom) sempre revelou uma postura conservadora, compatível com uma política econômica tímida, em que prevalece a visão linear do ministro Malan que morre de medo da inflação.
Pois é, mas ontem - sem ousar muito - o Comitê surpreendeu os agentes econômicos ao decidir pela redução da Selic, o juro básico da economia, de 16,5% para 15,75%, sem viés. As perspectivas favoráveis para a trajetória da inflação, reforçadas por uma melhora no cenário externo, levaram o Copom a reduzir a meta para a taxa Selic, de 16,5% para 15,75% ao ano
Convenhamos, contudo, que a redução dos juros anunciada ontem foi maior do que esperavam os analistas financeiros. Em geral, as consultorias e os bancos diziam que a taxa cairia de 16,5% para 16,25% ou 16%.
Ao abater os juros para 15,75%, o governo deu sinal de confiança na mudança do cenário internacional. Desde julho, não havia corte na taxa devido ao receio de uma crise externa.
Agora pergunta-se por que tanto medo de reduzir os juros básicos se o diferencial demora tanto para transparecer no mercado consumidor. Basta verificar os juros do cheque especial. A taxa de juros média anual do cheque especial ficou em 8,99% em 2000, segundo pesquisa da Fundação Procon-SP. A taxa mostra um decréscimo de 1,57 ponto percentual em relação à verificada em 1999, que foi de 10,56% ao ano.
A pesquisa, realizada em 14 bancos, revelou que a maior taxa média anual para o cheque especial foi de 10,29% (Santander) e a menor foi de 8,02% (Caixa Econômica Federal). Ainda para a modalidade cheque especial, verifica-se que a taxa média mensal foi de 9,66% em janeiro e de 8,56% em dezembro.
A pesquisa da Fundação Procon mostrou também que a taxa média de juros do empréstimo pessoal ficou em 4,49% em 2000. A taxa mostra um decréscimo de 1,22 ponto percentual em relação ao índice verificado no ano passado, que foi de 5,71%.
De acordo com a pesquisa, a maior taxa média anual foi de 4,95% (Itaú) e a menor foi de 3,51% (Banespa). O ano começou com uma taxa média mensal de 4,85% para o empréstimo pessoal e terminou com taxa de 4,28% ao mês. (Agência Folha). O mercado recebeu bem a medida. (Matéria nas páginas de Economia deste caderno).





