Oswaldo Petrin
O combalido consumidor brasileiro está mais confiante. Pelo menos é o que mostra pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Essas pesquisas de final de ano elas tendem mesmo a ser mais otimistas e escamotear a realidade. Pega parte da população economicamente ativa com um pouco mais de dinheiro e em ritmo de Natal e virada de ano. Prevalece o espírito de otimismo.
Mas, o que diz a pesquisa? Segundo ela, o consumidor está mais confiante, neste final de ano, com crescimento do Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) de 7,2% no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.
Estamos voltando ao mesmo nível de outubro de 1997, período que serve de comparação da alta histórica do índice, apurado desde 1996. Foi o que explicou Flávio Castelo Branco, coordenador da unidade de Política Econômica da CNI. Entrevista à repórter Sônia Araripe, da Agência Estado. O resultado foi elaborado a partir de pesquisa do Ibope realizada com duas mil pessoas em todo o País (e não apenas nas principais regiões metropolitanas) entre os dias 30 de novembro e 4 de dezembro.
Simone Lopes, coordenadora adjunta da Unidade de Política Econômica da CNI, disse que as pessoas estão acreditando na recuperação no mínimo moderada da economia. A pesquisa mostrou que 69% dos entrevistados afirmaram que estão satisfeitos com a vida e 90% esperando que o ano de 2001 seja melhor: 30% projetam um cenário muito bom e 60%, pelo menos bom.
Isso não significa, no entanto, que o quadro seja totalmente azul. De acordo com o INEC da CNI, os consumidores brasileiros temem o aumento da inflação em 2001. Dos dois mil entrevistados em novembro deste ano, 66% acreditam que a inflação vai aumentar nos próximos seis meses - de dezembro até maio. Em novembro do ano passado, a pesquisa mostrava que este número era de 62%.
Esse resultado pode estar acontecendo porque, apesar de os indicadores estarem apontando queda, a inflação real, sentida no bolso de cada um, está aumentando, disse Flávio Castelo Branco, economista da CNI.
Com relação ao desemprego, a pesquisa mostra otimismo para 2001. Dos entrevistados, 58% esperam que o desemprego aumente nos próximos seis meses - já contando dezembro - e 22% acreditam que pode diminuir. No mesmo período do ano passado, 69% dos consultados esperavam aumento do desemprego, contra 14% que aguardavam a dimunuição.
Segundo a pesquisa CNI/Ibope, as expansões mais significativas no sentimento do consumidor no último trimestre deste ano são rem relação às perspectivas para o final de ano e as expectativas de evolução de renda, fatores típicos do fim de ano.





