Oswaldo Petrin
A semana promete uma nova atitude - menos mercadológica e mais política e monetária - dos agentes comerciais com relação aos preços das principais commodities, notadamente a soja que entra em dormência natural da época.
Seus preços estacionam e aguardam a acomodação do dólar no paralelo para avaliar os reflexos sobre o comercial, já que o dólar permeia os contratos de vendas futuras. Aquela projeção, feita dias atrás, de dólar (comercial) a R$ 2,10 para maio pode ser revista, diante da corrida, episódica, para o paralelo.
Atitude defensiva também no café, o boi gordo e o milho para estancar a queda de preços. Pela lei natural da oferta e procura caem o feijão e o arroz. Poucas novidades, portanto, neste período de recesso.
No cenário macroeconômico, a expectativa a partir de hoje gira em torno da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), de amanhã e quarta-feira.
É pequeno o recuo que o mercado prevê para a taxa básica, de 16,5% para 16%. Pequeno, mas ousado, se contextualizado numa economia defensiva, extremamente tímida.
Ainda mais que o Comitê tem mantido o freio de mão puxado em se tratando de juros. Esta posição conservadora tem agradado a todos: agentes financeiros, empresários e à política oficial. O medo de ataques especulativos, ou algo que o valha, tem sido maior do que a vontade de prosperar. Aliás, progresso econômico é algo que não passa pela cabeça do governo FHC.
A elite econômica e financeira busca segurança no abrigo dos juros altos, não importa o que ocorre com o resto da economia.
Isto porque o cenário externo está relativamente calmo. Imagine o contrário.
Não são desprezíveis, contudo, a influência da crise na Argentina e a transição de governo nos EUA.
Convenhamos, portanto, que dentro das atuais diretrizes econômicas, a decisão do Copom de reduzir os juros básicos em meio por cento pode até ser considerada ousada. Hoje, a prudência recomenda que não se ignore o impacto do recuo (o termo apropriado é desaceleração) da economia norte-americana nas últimas semanas.
Mas se quisermos justificar a atitude do Copom, nesta terça-feira, de reduzir os juros em apenas meio por cento, ou simplesmente mantê-lo nos atuais 16,5%, não faltam argumentos. Até mesmo o efeito do mísero aumento do salário mínimo pode criar bolhas de consumo. E quem conduz a economia no estilo Malan morre de medo do consumo, que pode deflagrar altas de preços. (Tarifas públicas podem.)
O mais lamentável é saber que, conhecida a decisão do Copom, não faltarão nomes conhecidos no mundo acadêmico a defender a postura cautelosa.
Não importa que temos os juros mais altos do mundo. Também não se leva em conta que o mercado não têm hábito de repassar tais reduções dos juros básicos. Mesmo que o Copom reduza as taxas oficiais, na segunda-feira o preço do cheque especial continuará o mesmo e o crédito pessoal também.
Então para que ter medo do consumo, num país em que a demanda reprimida é tão forte? E ao mesmo tempo tão promissora - para um governo que queira crescimento econômico com aumento da produção industrial, geração de empregos, distribuição de renda, etc.





