Decidadamente, as coisas não vão bem para o mercado cafeeiro. Ontem saiu uma previsão sobre a produção mundial, que sufoca as esperanças de uma reação nos preços. Não é por acaso que o mercado físico esteve mais apático do que o normal, enquanto a Bolsa de Nova York fechou em baixa de 250 pontos para contratos dos próximos meses.
A produção mundial do café na safra 2000/2001 vai registrar um aumento de cerca de 0,3% em relação à safra anterior, atingindo o recorde de 113,7 milhões de sacas, informou ontem a Associação dos Países Produtores de Café (APPC) em seu relatório de análise do mercado divulgado na capital britânica.
A queda de produção na Amércia Central será compensada pelo aumento contínuo da produção do café tipo robusta e na recuperação da safra colombiana. A produção mundial de café na safra 1999/2000 totalizou 113,3 milhões de sacas, um aumento de 2,6 milhões em relação à safra anterior. As exportações mundiais de café cresceram em 6,1% nos últimos doze meses encerrados em setembro passado, se comparadas ao mesmo período anterior, totalizando 89 milhões de sacas. Houve um aumento de 19,6% nas exportações do robusta e uma elevação de 14,6% nas exportações de outros ‘milds’. ‘‘O maior aumento aconteceu com os robustas asiáticos, que representam hoje 30% das exportações mundiais do robusta’’.
Em relação ao consumo mundial de café, a APPC prevê que a demanda pelo robusta cresce 8,7% em 2000, alavancando a proporção do robusta nos blends para 36,3%. O consumo mundial global de café para este ano está estimado em 106,117 milhões de sacas, um aumento de 1 7% em relação ao ano passado (104,3 milhões de sacas). O consumo nos países importadores deve crescer 1,7% neste ano, atingindo 80,2 milhões de sacas. Já os países produtores devem consumir 25 392 milhões de sacas em 2000, um aumento de 2% em relação ao ano passado.
Sobre o Brasil, o relatório da informações, no mínimo contestáveis. O relatório da entidade afirma que os preços mais elevados do café em meados da década de 90 provocaram uma recuperação na área plantada no Brasil, o maior produtor mundial. Embora isso tenha aumentado o potencial da safra brasileira, condições climáticas adversas geraram grandes oscilações na produção anual. A estimativa oficial prevê que a safra 1999/2000, castigada pela seca, vai totalizar 27,17 milhões de sacas, uma queda de 9,8 milhões em relação à safra anterior. ‘‘A forte performance das exportações sugere uma safra de cerca de 30 milhões de sacas’’, disse no entanto a entidade. ‘‘Essa temporada poderá ser um ’on year’ para o café brasileiro.’’

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