Para o Brasil, EUA e Argentina - principalmente para o Brasil, enquanto produtor e exportador de frangos e farelo de soja -, o fenômeo ‘‘vaca louca’’ (Encefalopatia espongiforme), é um tema comercial. Para os países da União Européia, um fenômeno de saúde e sério. Além de comercial.
Não é à toa que a UE quer banir a farinha de carne e osso (vetor da doença) da ração animal. Só não o fez com mais firmeza até agora para não inflar ainda mais a expectativa de mercado de fontes alternativas como farelo de soja.
Também não é por acaso que a demanda externa por carne de frango aumentou depois da descoberta de focos da vaca louca em rebanhos europeus.
Pesquisa feita na Inglaterra mostrou que cerca de 100 animais franceses que foram abatidos para consumo humano neste ano estavam infectados com a doença da vaca louca. Numa reportagem do jornal Nature (reproduzida ontem pela AE-Dow Jones), a analista do Imperial College de Londres, Christi Donnelly, diz que pelo menos 1.200 animais franceses foram infectados pela doença da vaca louca, desde 1987.
De acordo com as estatísticas de Donnelly, o número pode chegar a 7.300 animais contaminados caso os produtores de carne bovina e autoridades francesas não tenham divulgado todos os resultados de suas inspeções.
No entanto, Donnelly ressaltou que a carne de todos estes animais pode não ter sido comprada por supermercados e restaurantes franceses e completou que ainda não está claro a quantidade de carne infectada que foi consumida.
Considerando que os relatórios franceses apresentaram informações completas e exatas, Donnelly calcula que, no mínimo, 49 animais contaminados entraram no mercado neste ano.
Mas como já foi constatado na Grã-Bretanha e em outros países, nos primeiros anos do aparecimento da doença, os registros não foram exatos.
Por isso, a pesquisadora estima que ao menos 100 animais contaminados foram ao mercado. As estimativas da analista são a mais recente tentativa para quantificar a doença na França, onde 2 pessoas já morreram.
Cientistas acreditam que a doença, que surgiu na Grã-Bretanha no final dos anos 70, pode ter sido disseminada através da reciclagem de farinha de osso e carne de animais infectados para uso na ração animal.
A doença não foi identificada até 1986, mas na metade dos anos 90, a Grã-Bretanha já registrava dezenas de milhares de casos por ano. Em 1996, cientistas relacionaram a doença em animais com a variante humana chamada de Creutzfeldt-Jakob.
Frango e farelo de soja brasileiros devem continuar apostando na ampliação do mercado.

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