Oswaldo Petrin
O mercado não se surpreendeu ontem com os números conservadores do relatório do Usda sobre embarques e estoques de soja. A maioria dos analistas de mercado ouvidos ontem por este jornal acha que a surpresa - se houver - fica reservada para o relatório de janeiro.
O Usda elevou a produção mundial de 166,35 milhões de toneladas em novembro para 167,34 milhões de t. (900 mil t mais). Praticamente manteve os dados da safra norte-americana (75,58 milhões de t); manteve alta, mas sem alterar, a produção brasileira (34,5 milhões de t), e elevou a produção argentina de 23 milhões para 23,5 milhões de t.
Tanto Camilo Motter, da Granoeste, de Cascavel, como Anderson Galvão Gomes, da FNP, de São Paulo, informaram ao final do expediente de ontem que o mercado operou indiferente ao comportamento da Bolsa de Chiucago, que cedeu 3,75 pontos nos contratos de janeiro, por conta do relatório do Usda.
Cooperativas e produtores venderam para indústrias internas a preços, em média, 10% acima da paridade internacional. Paranaguá, Ponta Grossa e Cascavel mantiveram houve negócios (poucos) acima do que pagaria o mercado externo. Em Cascavel, preço máximo R$ 22,20/saca (preço internacional R$ 20,50/saca).
Os dados de oferta e demanda mundiais de soja, divulgados ontem pelo Usda, até que deram um alívio para os produtores, quando se referem a
consumo e estoques. O consumo mundial de soja deverá subir para 168 milhões de toneladas na safra 2000/1, acima dos 161 milhões do mesmo período de 99. Os estoques mundiais cairão para 23,4 milhões de toneladas, contra 23,8 milhões de toneladas em 99/00.
A previsão de exportações de soja pelos norte-americanos será de 26,5 milhões de toneladas, com aumento de 2,6% em relação ao volume previsto em novembro. Em relação a 99 o crescimento deverá ser de 0,2%. Os estoques finais caem para 8,7 milhões de t.
O Usda elevou para 167,34 milhões de t previsão da safra mundial de soja no período 2000/1. As previsões de novembro indicavam 166,35 milhões de t. O Usda voltou a reajustar para cima a safra argentina (23,5 milhões de t).
A produção mundial de farelo de soja, um dos mais prováveis substitutos da farinha de osso na alimentação do gado europeu, deverá subir para 114 milhões de toneladas na safra 2000/1, segundo o Usda, 4% a mais do que o volume da safra anterior.
Todos os principais produtores mundias da oleaginosa devem aumentar a produção de farelo. No caso do Brasil, a produção subirá de 16,7 milhões de toneladas neste ano para 17,3 milhões na safra de 2000/1, segundo os dados do Usda.
A previsão de alta na safra mundial de soja derrubou os preços do produto em Chicago. O primeiro contrato fechou a 515,5 centavos de dólar, com redução de 0,67% em relação aos 519 centavos do dia anterior, como mostram as corretoras, as empresas de consultoria e a Agência Folha (Vaivém das commodities). Os dados sobre preços pagos aos produtores e preços fixados para a próxima safra, estão nos quadros da página quatro, com números do Deral/Seab, cooperativas e Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina.





