Oswaldo Petrin
O bicho vai pegar esta semana. O Canadá anuncia retaliações ao têxtil brasileiro. E, na reunião do Mercosul, esta semana em Florianópolis, Brasil não vai transigir nas tarifas aos produtos subsidiados na origem. Enquanto isso, as indústrias argentinas se ofenderam com acusação de dumping.
O mercado comum é um cinismo só e a globalização massacra os pequenos.
Têxteis As restrições que o Canadá pretende impor ao Brasil, no valor de US$ 1,4 bilhão, em sete anos, começam a ganhar forma na Organização Mundial do Comércio. Um documento apresentado pelo governo canadense indica que o país decidiu iniciar a retaliação pelas exportações brasileiras de artigos têxteis. Caso a OMC autorize, o Canadá poderá se isentar de aplicar o Acordo Têxtil e de Vestuários no comércio com o Brasil. O resultado da medida seria a elevação das tarifas com que esses produtos brasileiros são taxados ao entrar no Canadá.
Esta medida faz parte do pedido de autorização para retaliar o Brasil que o governo do Canadá está fazendo à OMC, visando ao ressarcimento do prejuízo que sustenta ter tido com o subsídio brasileiro à exportação de aviões regionais da Embraer, prejudicando a canadense Bombardier. O valor de US$ 1,4 bilhão foi arbitrado pela OMC após quatro anos de negociações e disputas.
Os diplomatas de Ottawa esperam obter do órgão de solução de disputas da organização permissão para que apliquem sanções tarifárias contra o Brasil. Com isso, as alíquotas preferenciais de importação dadas pelo Canadá ao País estariam suspensas.
Impacto no setor interno do vestuário é redução da produção industrial e perda do mercado.
Lácteos Seis empresas lácteas argentinas questionadas pelo Brasil por vender a preços de dumping, adiantaram vão se reunir hoje para estudar uma contra-ofensiva dos 46% de taxa determinados pelo principal sócio do Mercosul em futuras colocações em sua praça, assinalaram fontes empresariais à imprensa.
Além disso, os industriais, que asseguram que com suas exportações não prejudicam a produção leiteira brasileira, apresentarão ainda hoje um pedido de audiência urgente aos secretários de Indústria e de Agricultura, Javier Tizado e Antonio Berhongaray, respectivamente, para discutir o problema.
É mencionado inclusive um pedido de reunião com o chanceler Adalberto Rodríguez Giavarini, considerando que esta semana haverá uma cúpula de presidentes do Mercosul no Brasil.
Fontes das empresas Milkaut e La Serenísima - que desenvolvem atividades nas bacias leiteiras mais importantes da América Latina - admitiram ontem que os entraves comerciais brasileiros são um duro golpe à produção e à indústria láctea argentina.





