Paulo R. Toldo, de Maringá: ‘‘Sou produtor e engenheiro agrônomo, e tenho uma sugestão para a sua coluna: a criação do ‘‘Troféu Pinóquio’’. Assim, toda vez que um político der uma declaração, como a liberação de verbas ou solução de qualquer problema ligado a agropecuária e que nunca chegam ao seu destino... troféu nele. Quem sabe assim eles não ficam mais espertos e passam a prometer apenas o que podem cumprir.
Isso me ocorreu pela visita do nosso ministro da Agricultura, que nos prometeu recursos imediatos, para a recuperação dos cafezais geados e até agora esse dinheiro é como E.T. dizem que existe mas ninguém viu, acho que ele é merecedor do primeiro exemplar do Troféu Pinóquio.
Outro que merece um exemplar é o sr. Samico, do Ministério da Agricultura, pela declaração dada em Marília dia 23/11 de que os recursos estavam disponíveis desde o dia 22/11 nas agências do Banco do Brasil.
Péricles P. Salazar, de Curitiba: ‘‘Na sua coluna do dia 18.11.00, foi publicada uma carta endereçada pelo sr. Ugo Rodacki, presidente da FEPAC, sobre a qual passamos a considerar os seguintes aspectos:
1) Concordamos plenamente quanto a adoção do sistema de classificação de carcaças proposta pelo Sr. José Eduardo de Andrade Vieira. Os frigoríficos não são contra. Muito pelo contrário: quem conhece a história das reivindicações da indústria bovina no Brasil sabe que é do seu interesse referida classificação;
2) Um dos grandes problemas enfrentados pela indústria é exatamente a falta desta classificação, posto que dos lotes adquiridos pelas indústrias quase sempre existe desuniformidade de pesos, de idade e qualidade. A tipificação da carcaça ajudaria na identificação da qualidade do animal o que ensejaria igualmente preços diferenciados ;
3) Quanto à afirmação de que ‘‘o lobby dos frigoríficos é forte e eles não têm interesse nisso’’ (atribuída ao sr. Ugo Rodacki), demonstra certo desconhecimento das regras do mercado. O frigorífico é parte de uma cadeia produtiva onde também encontra-se o distribuidor atacadista e o varejista, representado pelos açougues, supermercados, churrascarias, hotéis, bares, cozinhas industriais, etc. Se o animal abatido é de qualidade inferior, o preço recebido pela indústria no momento da venda de carne é menor do que aquele recebido quando se vende um produto de qualidade superior. Se o varejista paga diferenciadamente segundo a qualidade da carne, como a indústria vai pagar ao produtor o mesmo preço para animais de qualidade diferenciada? Como alguém pode pagar o mesmo preço por duas mercadorias se elas são diferentes entre si?
4) A afirmação de que as fêmeas têm excelente qualidade é uma meia-verdade. Nem todas as fêmeas têm excelente qualidade assim como nem todos os machos têm também mesmo padrão qualitativo. Isto é o óbvio. Só não enxerga quem não quer. Estas três circunstâncias se enquadram no caso do Sr. Ugo Rodacki ;
5) Quanto a afirmação que os produtores estão à mercê de ‘‘comerciantes inescrupulosos’’, seria conveniente para o esclarecimento geral quem são estes comerciantes, para verificarmos se são os mesmos que há anos temos combatido e que atuam fora do setor organizado representado pelo nosso Sindicato;
Não é preciso lembrar ao sr. Rodacki que inescrupulosos pululam em todos os setores da atividade econômica. Tem sido nosso trabalho há anos proteger a indústria organizada da banda podre que viceja em nossa atividade e que muito contribuiu para arranhar a imagem do setor como um todo. No nosso caso, estamos fazendo a nossa parte. Seria muito salutar que o Sr. Rodacki fizesse o mesmo em seu setor de atividade, ou será que ele imagina que por lá só existam anjos de boa fé. (Péricles P. Salazar é presidente executivo do Sindicarne/PR.

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