Os diagnósticos de consumo mostram deflação (veja na página 2 deste caderno), apesar da alta generalizada de preços, puxados - como quase sempre -por tarifas públicas.
Deflação no Brasil não é para ser festejada; é para refletir: ela revela uma demanda reprimida de um povo sem poder de compra. Desemprego crônico, subemprego, informalidade que compromete a economia.
Apesar do cenário, há quem encontre números para comemorar. O presidente FHC comemorou ontem a melhora de índices econômicos neste final de ano. Em seu programa de rádio ‘‘Ao pé do ouvido’’ e por intermédio de seu porta-voz, ele fez questão de registrar que as políticas de estabilidade econômica do governo e as medidas para promover o desenvolvimento estão ‘‘recuperando a confiança no futuro do Brasil’’.
Os números procedem. São verdadeiros. Mas expressam uma parte da realidade.
O presidente citou o crescimento da arrecadação do ICMS em São Paulo, que em outubro foi de R$ 2 8 bilhões, e o incremento da produção industrial no País. Fernando Henrique destacou os índices de produção industrial, como o crescimento de 7,2% em relação ao mesmo dado registrado em outubro do ano passado. ‘‘Esse crescimento se reflete no Brasil inteiro e, talvez, ainda mais em algumas regiões como o Rio Grande do Sul’’, disse Fernando Henrique.
‘‘Os dados mostram que, de um lado, as políticas de estabilidade econômica e, de outro, de promoção do desenvolvimento estão restabelecendo a confiança no futuro do País’’, disse o presidente.
No programa de rádio, o presidente citou os resultados positivos relativos ao desemprego, ‘‘a grande preocupação brasileira’’. Fernando Henrique comentou que de janeiro a outubro deste ano foram gerados quase 900 mil empregos com carteira assinadaem todo o País. ‘‘É comum pessoas, que deveriam ser bem informadas, fazerem análises e comentários alarmistas, indiferentes a esta realidade: 2000 foi o melhor ano desta década em oferta de empregos formais no Brasil’’, disse o presidente.
Segundo o presidente, o governo tomou medidas fundamentais a partir de janeiro de 1999, quando a crise asiática atingiu a economia brasileira, como a destinação de R$ 9 bilhões para os setores de exportação, turismo, habitação e transportes. FHC também enfatizou o aumento de verbas para beneficiar pequenos e microempresários e o treinamento de 1,2 milhão de trabalhadores pelo programa Brasil Empreendedor. Fonte: Agência Estado.

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