A semente foi colocada, com justiça, como um produto de segurança nacional na última sexta-feira, na cerimônia de assinatura do contrato de cooperação entre Embrapa e Fundação Meridional. Este conceito foi destacado nos discursos do presidente da Embrapa, Duque Portugal; do presidente da Fundação Meridional, Geraldo Froes; do ministro Pratini e do secretário Poloni. Todos defendendo investimentos e parcerias.
Números que envolvem o contrato expressam a importância da parceria: O grupo instituidor da Fundação responde por 37,5% da produção brasileira de sementes de soja e é formado por 60 empresas. Nos estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo a instituição responde por 94% da produção.
Principais metas da Fundação Meridional: transferir e dar suporte aos avanços tecnológicos promovidos no Brasil. Além da execução de testes, vai realizar atividades de extensão nos três Estados. A Meridional prevê a participação de 25.000 produtores/ano. A eles serão apresentadas constantes inovações tecnológicas.
Nos discursos, uma profissão de fé, tanto Duque Portugal quanto Froes colocam a semente como principal veículo da evolução genética. Um coloca ‘‘com convicção’’ a transposição da barreira dos 5,0 mil kg/ha, na soja. Vai mais longe ao falar que sementeiros de Santa Catarina, Paraná e São Paulo entram numa nova era da soja. Possibilidades inéditas se abrem para novos cultivares. Essa colocação sugere que vêm novidades por aí.
A balança comercial agradece.
A semente é a essência. E a expressão máxima do processo de melhoramento genético. O Brasil está bem em trigo; muito bem em soja. E tem uma posição privilegiada em milho. O que a iniciativa privada investiu em milho é algo sensacional. O sucesso das safrinhas que o diga.
Mas há um porém. Resta esperar que parcerias como a selada sexta-feira, envolvendo a competência nacional do setor, contemplem um pobre da agricultura, o feijão. Pobre em tecnologia de produção. Mas de segurança nacional quando se trata de cesta básica. E, no entanto, está aí, preterido. Convenhamos que o feijão é complicado demais, está certo. As cooperativas e a indústria sementeira privada não conseguiram vislumbrar economia na semente de feijão. Porém, quem ousou - e, certamente, não fora por diletantismo - ganhou dinheiro na produção de escala, sob pivô central nas terras altas (porém baratas) do cerrado.
A semente de soja (e milho e trigo) não é grão: é semente. Mas a semente de feijão, não é semente: é grão.
Descubra o nicho que está na rima. Antes que o feijão perca espaço de vez.
Questão de políticas públicas.
As estatísticas da redução do consumo estão aí. E não se trata de migração entre cardápios de classe média para proletários, e vice-versa, conforme indicadores e emprego, etc. São médias de séries históricas. Nos anos 90 o consumo caiu em velocidade mais rápida do que a queda dos anos 70 a 80. Quem quiser chegar, é só procurar: IEA (SP), Unicamp e Deral.

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