Oswaldo Petrin
O leitor se manifesta sobre temas da atualidade, através do correio, e-mails, telefones ou fax. João Sala, de Umuarama (sobre a matéria Boi deve ser vendido no gancho e à vista, sugere José Eduardo): Concordo que o ideal é vender à vista e a pesagem feita no frigorífico. O correto é ir ao frigorífico e acompanhar. Procuro fazer isto normalmente não para fiscalizar, mas para acompanhar a evolução da tecnologia que estou usando no melhoramento genético do rebanho e avaliar como este investimento se expressa na qualidade da carne. Gosto de avaliar o trabalho feito na fazenda. Quero ver o resultado de abates de animais em diferentes idades e peso; tipos de cruzamentos e o tratamento e manejo dispensados.
Wilson Baggio, de Cornélio Procópio (sobre o mesmo assunto): Não devemos dar importância para esse tiroteio de desinformações que parte de um comércio que está de papo-cheio. Não concordo com o relatório do tal adido do Usda, como não concordo com o relatório do Sérgio Tristão. Tenho propriedades em Minas e São Paulo e não vejo as lavouras prometendo tanto. Nós produtores devemos aguardar o relatório da Embrapa, dia 20. E acreditar na metodologia e na boa-fé. São 350 técnicos a campo fazendo levantamento.
Marcos Bacceti, de Londrina (sobre previsão, superestimada, de safra de café, pelo Usda, divulgada ontem): Omissão por parte dos órgãos governamentais pela divulgação da safra brasileira vem abrindo espaço para outras fontes com interesses em controlar o mercado cafeeiro do Brasil, como esta divulgação, feita por um adido, sem nome, do Usda. O prejuízo que o governo vem causando ao setor cafeeiro é enorme. O setor produtivo sabe das dificuldades que foi produzir na atual safra. Para o setor de comercialização, exemplo do exportador, não foi diferente: perdeu mercado para outras origens devido ao processo de retenção que, por enquanto, só o Brasil vem cumprindo. Além dos baixos preços no mercado externo devido à especulações como esta de que teremos uma grande safra. Enfim, o setor está fragilizaedo com tantas dúvidas.
Mas o problema envolve uma questão prática. Às vezes, o dono do gado tem que se locomover para outra cidade e isto não é fácil. Quanto ao local e forma de se negociar, pode também ocorrer o seguinte: na propriedade, o pecuarista negocia com o comprador do frigorífico um aproveitamento em torno de 53% (ou um desconto aproximado de 47%). Aí, quando chega no frigorífico - sendo um animal bom, bem gordo - o desconto é menor e o aproveitamento pode chegar a 54%. Estaria perdendo entre 2% e 3%. A vantagem, neste caso, portanto, é pesar na indústria. Mas, às vezes, isto não é feito porque o produtor quer ser prático; quer negociar rápido para girar capital.
Nota : João Sala é da Comissão de Pecuária de Elite da Sociedade Rural de Umuarama e ex-presidente da entidade.





