-O governo está avaliando a possibilidade ‘‘técnica e econômica’’ de se misturar álcool ao óleo diesel, a exemplo do que acontece com o álcool anidro na gasolina. Pelas articulações de assessores dos Ministérios da Indústria e do Comércio e das Minas e Energia, é possível inferir que o fator determinante na decisão, caso se concretize, não terá sido o enxugamento do mercado de álcool, tampouco o desempenho dos motores com o novo aditivo. Também não será uma nova forma de ajudar a sobrevivência do Proálcool.
-O referencial do governo para decisões importantes, na atual conjuntura, é outro. Vai depender de como isto transparece na balança comercial. Pelo menos foi o que deixou entrever o ministro da Indústria e Comércio, Francisco Dornelles, durante uma reunião, ontem, com empresários do Rio de Janeiro, na Federação da Agricultura de lá, oportunidade em que o assunto foi enfocado.
-A mistura de álcool no diesel é defendida por empresários do setor com estudos técnicos esmiuçados dando respaldo à decisão governamental. Dornelles não descarta a adoção da medida. Mas aproveitou para alertar (de novo) os usineiros da cana-de-açúcar e álcool. Disse que a reabilitação do Proálcool, que está sendo estudada pelo governo, não ‘‘pode ser na base de incentivos, de subsídios e favores. ‘‘Precisa ser estabelecida de forma a levar em conta a queda das taxas de juros e da inflação’’.
- Dumping no leite A Federação Nacional de Agricultura denunciou à Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MICT a prática de dumping na importação de leite produzido no Mercosul. Os produtores argentinos conseguem colocar no Brasil uma caixa de leite por R$ 0,55 (preço de venda no atacado) enquanto as cooperativas brasileiras vendem o mesmo produto por R$ 0,62. ‘‘Os consumidores argentinos compram esse produto por US$ 1,00’’, afirma Rodolfo Tavares, presidente da Federação. Outra queixa diz respeito ao fato de que essas importações são financiadas pelo Brasil, que empresta o dinheiro a empresas brasileiras.
-Tavares considerou ‘‘no mínimo estranho’’ o fato de a Argentina produzir 8 bilhões de litros de leite por ano, consumir 8,3 bilhões e ainda exportar 600 milhões de litros para o Brasil. ‘‘Tem alguma coisa que não fecha nessa conta’’, ironiza. A suspeita é de que o produto que chega ao Brasil seja proveniente da Comunidade Européia e não do Mercosul.
-As importações de lácteos no período de janeiro a maio de 97 cresceram 20,1% comparadas ao ano passado, o que envolveu compras no valor de US$ 197 milhões. As importações de leite em pó custaram US$ 122,27 milhões (com crescimento de 19,7%) e as de leite do tipo Longa Vida custaram US$ 21,08 milhões, representando um aumento de 70,2%. No âmbito do Mercosul a Argentina prevê aumento de 12% nas exportações de lácteos para o Brasil, em 1998.Balança

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