O preço da farinha de mandioca, que passou de R$ 13,00 a saca de 50 quilos para R$ 17,00 no dia 23 de outubro - com divulgação da notícia de que a Conab entraria no mercado comprando o produto - caiu tanto que não tinha referencial ontem. ‘‘Está sem preço porque não tem comprador’’, conforme informação dada ontem pelo presidente da Associação das Indústris de Derivados de Mandioca do Paraná, Demerval Silvestre.
O governo deixou o mercado confuso ao suspender o leilão que deveria adquirir o produto para o Prodea - Programa de Distribuição de Alimentos do Governo Federal. O leilão inicialmente foi marcado para o dia 13 de novembro; depois foi adiado para o dia 23 e, finalmente suspenso. A trapalhada foi suficiente para o preço desabar. O preço da matéria-prima também caiu, mas em menor proporção, de R$ 70,00 para R$ 60,00/tonelada da raíz.
O leilão foi suspenso porque a farinha que a Conab ia comprar seria destinada às cestas básicas do Prodea. Mas o governo decidiu que vai acabar com o Prodea.
Em consequência da suspensão, o mercado continua superofertado em prejuízo de toda a cadeia produtiva da mandioca. A decisão obedece a interesses políticos, mas o estrago no interior é econômico.
No Paraná são 56 indústrias farinheiras e 42 fecularias e a área plantada este ano é de 198 mil hectares. A produção e industrialização se concentram no Noroeste e Sudoeste do Paraná. Maior área no Noroeste, centralizada em Paranavaí. Segundo Demerval Silvestre, a cadeia, de ponta a ponta, emprega quase 80 mil pessoas.
Tão grave quanto à suspensão do leilão, segundo Demerval, é a extinção do Prodea. Se o governo não decidisse pela sua extinção ainda haveria esperança de que os leilões seriam retomados umm dia, talvez no próximo ano. Mas o setor já não alimenta essa esperança.
A mandioca tem um função literalmente social: a produção vem de pequenos produtores e arrendatários; a indústria emprega mão-de-obra nas pequenas cidades, onde as opções de trabalho são poucas. E o produto - no caso do leilão - se destinaria à população carente.
As compras do Prodea, via leilão da Conab, deveriam tirar do mercado mais de 1,6 milhão de toneladas, exatos 1.604.767 quilos.
A Associação ainda tenta reverter o quadro, mas sem perspectiva. Comenta-se que FHC mandou extinguir o Prodea para recriar um programa semelhante às vésperas das eleições e dentro de um ministério que pertença ao PSDB.

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