Cooperativas de produtores, indústrias moageiras de trigo e técnicos devem sentar à mesa para discutir a produção e comercialização da próxima safra. É importante que isto ocorra em dezembro ou janeiro para que produtores tenham tempo de planejar a safra (a partir de março), levando em conta eventuais acordos que venham a surgir a partir desse entendimento. E sem dúvida há um ambiente propício para acordos.
A sugestão foi feita ontem pelo pesquisador da Embrapa e presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos da Região de Londrina, Sérgio Dotto. Ele acha que os produtores devem aproveitar a abertura manifestada pela indústria moageira e estabelecer uma relação comercial.
Tanto Sérgio Dotto como seu colega Carlos Roberto Riede, pesquisador do Iapar, entendem que os produtores devem estudar demandas específicas da indústria e direcionar sua produção para este mercado, uma vez devidamente acordado.
Ambos garantem que existe tecnologia - através de variedades e tratos culturais - suficiente para oferecer uma matéria-prima comparável com à qualidade dos grãos importados.
A sugestão dos técnicos para que lavoura e indústrias discutam pontos convergentes decorre da repercussão positiva do pronunciamento feito pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), Roland Guth, ao presidir o Seminário Internacional do Trigo que reuniu industriais e técnicos da Argentina, Brasil, Canada e Estados Unidos, em Foz do Iguaçu.
Segundo Doto, há um segmento da indústria moageira - representado principalmente pelos moinhos instalados nos três Estados do Sul - disposto a prestigiar o trigo nacional. ‘‘É uma oportunidade de ouro’’ - disse, faltando evoluir para uma análise das condições para que todos, produtor, indústria e consumidor, saiam ganhando.
Ele entende não ser necessário que produzamos trigo para toda a demanda, mas que consigamos atender pelo menos 50% da demanda do Sul do País. Justamente nesses Estados o trigo tem um papel importante como principal cultura econômica do inverno, que além de tudo ainda ajuda baratear os custos da soja ou milho no verão.

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