Oswaldo Petrin
No momento em que os rios (e os solos, os alimentos, as árvores, os animais) do Paraná sofrem tantas agressões, é alívio saber que as pessoas estão sendo preparadas para respeitar o ambiente. Cerca de 1,2 milhão de crianças de 7 mil escolas municipais e estaduais do Paraná foram envolvidas este ano no projeto Agrinho, que é muito mais que um processo de conscientização. A premiação das melhores redações, desenhos e projetos pedagógicos do Agrinho acontece hoje em Curitiba.
O Agrinho estrutura o indivíduo na sua predestinação histórica. Sua abrangência e didática estão expressos no material de apoio, como as cartilhas e jogos elaborados por especialistas em cada um dos módulos do Programa, sendo distribuído gratuitamente em sala de aula. Há uma preocupação didática e técnica na elaboração desse material é e na montagem do conteúdo programático.
Durante o ano, o estudo das cartilhas do Agrinho foi acompanhado por atividades práticas, em experiências pedagógicas desenvolvidas pelos professores. Assim, as crianças do Agrinho conseguiram colocar lixeiras no município, protegeram fontes de água em outro e chegaram a editar um livro sobre saúde, entre as inúmeras iniciativas por todo o Estado. A função é didática. A mensagem, via criança, para uso adequado de agrotóxicos tem efeitos imediatos.
É o primeiro programa no Brasil a colocar em prática uma recomendação do Ministério da Educação, através da Lei de Diretrizes e Bases, que prevê a criação de temas complementares às disciplinas aprendidas em sala de aula.
Cleverson Andreoli, doutor em Meio Ambiente pela Universidade Federal do Paraná, e um dos autores das cartilhas do Agrinho, conceitua que a estratégia do programa, que é a grande norma do discurso ambiental, é pensar globalmente e agir localmente.
Segundo ele - em depoimento à assessoria de imprensa da Faep -, o projeto tem a virtude de estimular ações para resolver problemas da comunidade. Desde pequena a criança está tendo informação de que ela pode identificar e diagnosticar um problema, e partir para a busca da solução, dentro da comunidade.
Desde cedo estas crianças estão conhecendo o que é a cidadania. O Agrinho tem estimulado que sejam desenvolvidas ações para solucionar problemas comunitários.
O Senar Paraná iniciou o programa junto aos estudantes de escolas rurais em 1996, através de um projeto piloto sobre agrotóxicos. Em 1997, o Agrinho foi ampliado, aumentando o programa para educação ambiental e saúde, além do tema Educação Sexual, que orienta adolescentes entre 11 e 14 anos para a prevenção da AIDS e demais doenças sexualmente transmissíveis.
Enfim, o Agrinho é investimento. Um grande investimento. Da realização participam a Faep, as Secretarias da Educação, Agricultura, e do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Sindicatos Rurais e Prefeituras Municipais. Premiação é patrocinada pelas empresas Dow AgroSciences, Jacto, Milenia, Novartis, Du Pont, Bayer e Hokko. São empresas e indústrias parceiras do Senar/PR nos projetos de educação e promoção social no campo.





