Oswaldo Petrin
-Ao divulgar, dias atrás, o aumento no consumo de carnes, achocolatados e derivados de leite - creditado ao aumento do poder de compra proporcionado pela estabilidade econômica -, o governo previu aumento de consumo também nas proteínas de origem vegetal, incluindo aí as massas alimentícias e derivados de milho e soja. O Ministério da Agricultura chegou a projetar crescimento de 8% a 10% na demanda até o final do ano. A projeção foi considerada aceitável pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) que incluiu outros itens na expansão.
-Por enquanto a previsão não se confirma. E ontem a Associação Comercial de São Paulo divulgou indicadores que sugerem deslocamento de consumo para itens de menor valor, com pagamento à vista. A notícia diz que a média diária de consultas ao Telecheque, indicador das vendas à vista, aumentou 36,5% do dia 1º a 13 deste mês sobre igual período do ano passado e 14,2% sobre igual período do mês passado.
-Esse crescimento se deve à redução da venda a prazo e, portanto, ao aumento da compra de produtos de menor valor unitário e, exatamente por isto, com pagamento à vista; à entrada de novos usuários do serviço de Telecheque e ao crescimento das vendas aos domingos. São fatores, portanto, que nada têm a ver com aumento da demanda. Tanto que está incluida até a mudança de estratégia dos postos de gasolina. O economista da Associação Comercial, Emílio Alfieri, disse à Agência Folha que os postos de gasolina são os mais novos usuários do serviço de Telecheque, e que o incremento das vendas aos domingos se deve sobretudo à expansão das lojas de conveniência e do sistema de venda por telefone.
-Em São Paulo, como em outros grandes centros - que dão parâmetros aferidores de consumo, comportamento de preços e qualidade de vida -, tradicionalmente num domingo ou feriado o Telecheque recebia entre 3.000 e 4.000 consultas. No último domingo foram registradas 7.347 consultas, e no feriado (paulista) de 9 de julho, 10.834 consultas. Do dia 1º a 13 deste mês, a média diária de consultas ao SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), termômetro da venda a prazo, cresceu 27,2% sobre igual período do ano passado e 6,6% sobre igual período de junho. Esses números, segundo Alfieri, mostram desaceleração na procura pelo crediário.
-Em janeiro, o crescimento sobre igual mês de 1996 foi de 54,5%. Em
fevereiro, de 48,3%; em março, de 42,9%; em abril, de 46,6%; em maio, de 25,5%; em junho, de 28,1%; e neste mês (até o dia 13), de 27,2%. A
procura pelo SPC deve diminuir ainda mais, na previsão do técnico.
-Mas esses indicadores ainda não são suficientemente confiáveis. Há quem esteja prevendo queda geral na demanda de bens - eletrodomésticos, eletroeletrônicos e veículos, o que já está ocorrendo. O consumidor anda cismado.Cancro cítrico





